terça-feira, 29 de março de 2011

ONG recolhe lixo eletrônico em Araçatuba

ONG estima que possa haver de 5 mil a 10 mil
computadores quebrados em Araçatuba
Empresas, entidades e moradores da região de Araçatuba enfrentam dificuldades para encontrar uma forma segura e correta, do ponto de vista ambiental, para o descarte de equipamentos eletrônicos quebrados ou fora de linha. Há casos de empresas que estão acumulando em suas dependências equipamentos de informática, um dos tipos de lixo eletrônico mais comuns no Brasil, com até 15 anos de uso.

A falta de conhecimento sobre o assunto também gera transtornos a quem dispõe de um equipamento antigo e se vê na obrigação de continuar com ele em casa pois não sabe como descartá-lo.

É o caso do estudante Maurício Serafim Costa, 21 anos, que está há quatro meses com um monitor CRT (tubo) guardado na república onde vive, no Jardim Paulista, em Araçatuba. O equipamento apresentou problemas, e Costa optou por adquirir um novo. "Honestamente, não sei onde descartar o monitor queimado, pois não conheço um ponto de recolhimento".

Diante da necessidade de dar destinação correta a esse tipo de lixo, um grupo de voluntários criou no ano passado em Araçatuba a ONG PZ (Organização Não Governamental Poluição Zero). O grupo dedica horas do dia a recolher eletroeletrônicos quebrados, tanto de empresas quanto de particulares. O serviço é feito por meio de agendamento pela internet, no site da entidade www.ongpoluicaozero.org.br.

A ONG estima que possa haver de 5 mil a 10 mil computadores sem uso ou quebrados em todo o município, prontos para serem recolhidos. "Nossa intenção é conseguir mais parceiros, pois devem existir nas indústrias e residências muitos computadores sucateados. Doando o equipamento para a gente, a pessoa se livra do problema e nos ajuda a ampliar nosso trabalho", explica o diretor de marketing da PZ, Pedro José Ferreira dos Santos.

Depois de recolhidos e levados para o galpão da ONG, no bairro Amizade, os eletrônicos passam por triagem, são desmontados e repassados para empresas da Capital - credenciadas por órgãos estaduais e federais - para a reciclagem.

"A ONG está fechando parcerias com estabelecimentos comerciais para que se tornem postos autorizados de descarte", diz Júlio César Fernandes, presidente da PZ. A entidade também busca colaboradores para ajudar na reforma do prédio onde realiza suas atividades. O local foi cedido pela Prefeitura.

PLANO
A criação da ONG ocorre num momento em que a destinação correta dos resíduos eletrônicos está em plena discussão no Brasil. Um comitê executivo formado por 12 ministérios foi criado este mês para elaborar o Plano Nacional de Resíduos Sólidos. O grupo tem até junho para apresentar documento prévio regulamentando a devolução de resíduos sólidos produzidos pela indústria.

A medida atende ao previsto na lei que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada em 2010. Entre vários aspectos previstos pela norma, está a implementação da "logística reversa", que obriga fabricantes, importadores e distribuidores a recolher embalagens usadas. A medida vale para pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes, eletroeletrônicos e lâmpadas.

Metais pesados, com alta concentração no lixo eletrônico, se acumulam nos organismos vivos, podendo afetar o ser humano. A contaminação pode ocorrer pelo contato direto com os elementos químicos, mas também quando descartados em aterros.

Assista videorreportagem sobre o assunto.

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