terça-feira, 12 de abril de 2011

78 espécies podem desaparecer da região

Casal de araras-canindé no zoológico de Araçatuba;
ave ainda pode ser vista em trechos do rio Tietê
Fotos: Valdivo Pereira/Folha da Região

Quando falamos em animais silvestres, logo imaginamos todos em florestas vivendo em harmonia com o meio ambiente, mas há anos que esta realidade não é mais a mesma. Pelo menos 78 espécies da região de Araçatuba estão na lista de animais ameaçados de extinção do Estado de São Paulo.

Os motivos para o risco deles desaparecem na natureza são muitos, no entanto, a ação danosa do bicho-homem é o fator mais comum para a vulnerabilidade da biodiversidade.

A destruição de áreas florestais, seu principal habitat, e o tráfico de animais silvestres, são os principais inimigos para o futuro das espécies. Dados divulgados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e pela Fundação SOS Mata Atlântica mostram que de 2005 a 2008, 31 cidades da região de Araçatuba perderam 7.666 hectares de Mata Atlântica. O desmatamento foi causado, entre outros fatores, pela expansão urbana, cultura canavieira e agropecuária.

AVES
As aves aparecem na região como o grupo mais vulnerável. No total, são 63 espécies que poderão, no futuro, serem vistas apenas em cativeiros ou desaparecem completamente se nada for feito. Quem visita o zoológico municipal de Araçatuba pode facilmente se encantar com a beleza da arara-canindé, ave que está criticamente ameaçada no Estado. Ela ainda pode ser vista em trechos do rio Tietê.

A rolinha-do-planalto permanece como um dilema aos pesquisadores. Sua presença é atestada em São Paulo com base em um exemplar coletado em Itapura, em outubro de 1904. Nunca mais foi vista no Estado. Não são claros os motivos que ameaçam (ou ameaçaram) esta espécie, mas os biólogos propõem a necessidade de procurar novas populações e proteger as áreas onde elas forem eventualmente encontradas.

Animais de médio porte da região, como os mamíferos, também entraram na lista de ameaçados. Bugio-preto, onça-parda, anta e cervo-do-pantanal são os quatro exemplares citados. A maior ameaça para a conservação destas espécies é a destruição e a fragmentação de seu habitat, uma vez que resta apenas 1% de cobertura vegetal natural do Cerrado paulista. Além disso, a caça também se mostra um desafio a ser combatido.

Além das aves e mamíferos, o Livro Vermelho da fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo, publicado no ano passado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, incluiu em sua listagem nove espécies de peixes, como a piracanjuba e a jurupoca, espécies encontradas nos rios Paraná, Tietê e São José dos Dourados. Para fechar a lista de bichos em risco, três répteis, sendo um deles a jararaquinha-do-campo.

DESEQUILÍBRIO
O professor e naturalista Arif Cais, do Departamento de Zoologia e Botânica da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de São José do Rio Preto, afirma que, diferentemente das grandes extinções naturais, como a que extinguiu os dinossauros do planeta, o atual cenário é causado especialmente pelas interferências humanas na natureza.

"A espécie humana altera o curso da evolução. As nossas populações estão em crescimento contínuo, num desequilíbrio positivo. Esta correlação de forças tem prejudicado a natureza. Nós transpomos montanhas, desviamos cursos de rios, fazemos grandes construções, destruímos florestas e com isso vamos provocando ilhas de concentração de determinadas espécies. Estas ilhas vão acabar por prejudicar as espécies que moram ali", afirma Cais.
Onça-parda: ameaçada pela fragmentação de seu habitat

Nenhum comentário:

Postar um comentário