segunda-feira, 25 de abril de 2011

Apreensões de papagaios aumentam

Louro, um papagaio acostumado
a viver em muitas gaiolas
Foto: Paulo Gonçalves/Folha da Região
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) de Araçatuba registrou aumento de 29,8% sobre o número de papagaios recolhidos pelo órgão. O instituto apreendeu ou recebeu 174 papagaios em 2010 contra 134 em 2009. No ano passado, a cada três animais silvestres recolhidos, um era papagaio.

O povo brasileiro tem o costume de criar pássaros silvestres como animais de estimação, desde a descoberta do País pelos portugueses. A aptidão destas espécies para aprender palavras, a beleza das penas e o canto são os motivos que levam a população a se interessar pelas aves.

Além de causar prejuízo à fauna nacional, a prática de manter aves silvestres em cativeiro pode render penalidades, conforme lei de crimes ambientais número 9.605/98, inclusive para o morador que tem papagaio no quintal de casa. A multa varia de R$ 500 a R$ 5 mil. O Ibama não regulariza a posse de papagaios.

Louro, um papagaio com quase 20 anos de idade, vive desde o ano de 2002 com um pedreiro de Araçatuba, que pediu para não ser identificado. Desde pequena, a ave precisou se acostumar com os mais variados tipos de gaiolas, já tendo passado por três residências diferentes, pois seus "donos" mudam de casa e repassam o papagaio para amigos.

O pedreiro diz ter consciência que pode ser multado, caso agentes da fiscalização ambiental visitem seu imóvel. "Mas eu acho meio difícil. Tem que prender é o traficante", afirma. A ave mora numa árvore, mas não consegue voar direito. Para evitar a fuga, o morador corta periodicamente parte das asas. O pássaro já está domesticado, sabendo falar várias palavras do vocabulário humano.

AFETIVIDADE
Diferentemente das situações em que há flagrante de tráfico de animais silvestres, quando a aplicação de multas e detenção para os criminosos não gera questionamentos, a retirada de papagaios de moradores idosos que mantêm a ave como mascote, criando laços afetivos, costuma ser delicada até mesmo para os fiscais.

"É uma situação muito complicada até para nós. Já cheguei a apreender papagaios em que as pessoas tinham grande apego pela ave. A lei é rigorosa e, se a gente não a cumpre, podemos incorrer no crime de prevaricação", afirma Julio César Zambão, chefe do escritório regional do Ibama de Araçatuba.

GUARDA
Desde o ano de 2006, tramita resolução que propõe a guarda doméstica de animais silvestres para permitir que um cidadão comum, autuado pela fiscalização, receba tratamento diferente ao dado a um traficante de fauna. Pela proposta, o morador que mantém um animal irregular, inspirado por uma questão cultural, poderá eventualmente transformar-se em guardião.

Como a guarda doméstica ainda não foi regulamentada, a única forma de o morador não ser penalizado pela lei de crimes ambientais é entregando o papagaio ao Ibama. Para entregar, denunciar ou obter informações sobre a posse de papagaios em cativeiro, o morador pode recorrer ao Ibama. Em Araçatuba, o escritório regional fica na rua Dona Amélia, 574, Dona Amélia. O telefone é o (18) 3623-7151.

2 comentários:

  1. Mas não tem nenhum jeito de regularizar a situação de um papagaio? é que tenho 1 e me roubaram, ele é como um irmão para mim, se tiver algum jeito por favor posta e implorooooooo!!!

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  2. As leis são feitas por parlamentares leigos e desinformados tambem c/ pouco interesse no problema tem milhares de pessoas que possuem animais domesticados e ñ podem regularizar,o que seria bom p/ambos e para a preservação das especies,infelizmente nossas autoridades continuam miopes e indiferentes ao problema,preferem aplicar multas e punições sem resolver a causa e´a nossa terra.

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