quarta-feira, 6 de abril de 2011

Arraias colonizam Paraná e Tietê

Garrone Neto (foto): modificações ambientais
trouxeram arraias. Crédito: Divulgação
A ameaça de extinção aos peixes não é a única preocupação dos biólogos e pescadores. Três espécies de arraias de água doce, conhecidas por poder provocar ferimentos muito dolorosos em humanos, estão colonizando a região do Alto Rio Paraná, da qual fazem parte os municípios de Castilho, Ilha Solteira e Itapura, e também a dos baixos cursos dos rios Paranapanema e Tietê. Em Pereira Barreto também houve registro de arraias.

Até agora, só na região do Alto Paraná, pelo menos 31 acidentes foram computados.
Entre 2004 e 2009, o dermatologista Vidal Haddad Júnior, da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, e o biólogo Domingos Garrone Neto, doutor em Zoologia pela mesma instituição, estão envolvidos neste trabalho.

Garrone Neto explica que a colonização dos rios Paraná e Tietê pelas arraias, e também por outras espécies de animais aquáticos que não são nativos da região, apresenta ligação com as modificações ambientais feitas por obras de engenharia na Bacia do Alto Paraná. Há 27 anos, era inundada uma imensa área no Paraná para abastecer a maior usina hidrelétrica do mundo - Itaipu.

BARREIRA
As famosas Sete-Quedas de Guaíra, que submergiram em outubro de 1982, historicamente serviam de barreira natural a arraias e outras espécies de peixes comuns no Baixo e Médio Paraná.

Uma das espécies de arraia que está se
adaptando aos rios Paraná e Tietê (Divulgação)
As arraias usam os caminhos abertos pelo homem para ampliar sua área de distribuição a cada ano. A coleta delas em Pereira Barreto e Ilha Solteira ilustra isso, onde o canal construído para fins hidroviários deve permitir o acesso das arraias às águas do Noroeste de São Paulo, além do Sudoeste de Minas e Sul de Goiás. Araçatuba, Birigui, Buritama e Promissão - nos trechos por onde passa o Tietê - ainda não tiveram animais coletados, mas estão incluídas como possíveis rotas.

O biólogo esclarece que ainda não há registros de desequilíbrio ambiental na região, como o desaparecimento de espécies aquáticas, devido ao processo de colonização fluvial das arraias.
Ele explica que o animal está se adaptando aos rios Paraná e Tietê por causa das condições físicas favoráveis e pela falta de predadores naturais.

Um comentário:

  1. O Prof. Dr. Garrone é simplesmente impecável em td o q faz... mto orgulho de ter sido uma das suas orientandas!!! Valeu por td Neto!!!

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