quarta-feira, 6 de abril de 2011

Peixes podem sumir de rios da região

Ribeirinho: "Hoje, caiu na rede é peixe"
Fotos: Paulo Gonçalves/Folha da Região
A abundância de água na região de Araçatuba não foi suficiente para tirar nove espécies de peixes da lista de animais ameaçados de extinção do Estado de São Paulo.

A destruição de habitat, desmatamento, poluição e construção de barragens são apontadas como responsáveis pela diminuição cada vez maior do número de espécies como a piracanjuba, pintado e jaú. Moradores de áreas ribeirinhas temem pela sua sobrevivência.

O Livro Vermelho da fauna ameaçada de extinção no Estado, publicado no ano passado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, incluiu em sua listagem a piracanjuba, pacu, pacu-prata, curimbatá, jurupoca, pintado, jaú, mandi e joaninha-da-corredeira, espécies encontradas nos rios Paraná, Tietê e São José dos Dourados. O risco de extinção varia conforme o tipo de peixe, indo de alto a criticamente em perigo para as nove espécies.

O pescador Alfredo Alves Cruz Neto, 58 anos, mora com a família há 40 anos às margens do rio Paraná, município de Ilha Solteira. Segundo o ribeirinho, havia abundância de peixes no passado, diferentemente de hoje. "Antigamente eu escolhia o peixe que queria pegar. Hoje, caiu na rede é peixe", afirma.

RARIDADE
Alfredo diz que a jurupoca e a piracanjuba, como exemplos, se tornaram peixes raros. Ele aponta a sequência das barragens das usinas hidrelétricas de Jupiá e Ilha Solteira, ambas no rio Paraná, e Três Irmãos, no rio Tietê, como responsável por impedir o ciclo reprodutivo de vários peixes. Quando perguntado sobre o futuro da profissão de pescador, ele não tem dúvida. "Vai acabar. É difícil viver hoje devido ao peixe estar muito pouco."

O presidente da Piscis (Associação de Piscicultura de Ilha Solteira), José Roberto da Costa Sales, 48, explica que graças ao repovoamento feito pela Cesp ainda é possível encontrar algumas espécies de peixes ameaçados. A empresa é detentora de seis hidrelétricas, incluindo as três já citadas nesta matéria. "Mas peixes como o pintado e jaú estão praticamente em extinção na região."

Criação intensiva de peixes às margens
do rio São José dos Dourados
A associação presidida por Sales é composta por mais de 60 piscicultores. A produção de pescado, em média 20 toneladas ao mês, é direcionada ao consumo interno e abastecimento de grandes frigoríficos. A criação intensiva de peixes ocorre às margens do rio São José dos Dourados, numa área doada pela Prefeitura.

Sales prevê que a criação de peixes deverá, nos próximos anos, substituir a pesca profissional nos rios da região. "Apesar do volume dos nossos rios, a natureza não tem como sustentar o aumento da produção. A piscicultura é saída para resolver os problemas do pescado no Estado e no Brasil", afirma.

A região deverá experimentar, em breve, um aumento significativo da produção de pesca intensiva. O Ministério da Pesca abriu licitação para a construção de parques aquícolas em Ilha Solteira. O objetivo é aumentar a produção de pescado em cativeiro.

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