segunda-feira, 9 de maio de 2011

Pedale sua 'magrela' e ajude o trânsito

Turma do Pedal se reúne para fazer
passeios de bicicleta em Araçatuba
Foto: Valdivo Pereira/Folha da Região
Chegar ao serviço sem enfrentar congestionamento no trânsito, em ruas silenciosas e livres da poluição sonora e de poluentes no ar. Estes são anseios que fazem parte do cotidiano de muitos moradores nos centros urbanos e que já descobriram na bicicleta uma forma sustentável, prática e econômica de transporte. Em Araçatuba, no entanto, a falta de infraestrutura cicloviária é vista como empecilho para aumentar o número de adeptos dos pedais.

A organização mineira Ruaviva aponta a bicicleta como uma alternativa ambiental para contrapor os veículos motorizados. A entidade estima que um carro médio emite anualmente na atmosfera cinco toneladas de dióxido de carbono. Assim, os quase 60 mil automóveis de Araçatuba podem liberar por ano até 300 mil toneladas deste gás, apontado por cientistas como contribuinte para o aquecimento global.

"Cinco mil bicicletas em circulação representam 6,5 toneladas a menos de poluentes no ar, dez bicicletas estacionadas ocupam a vaga de um automóvel e cinco bicicletas em movimento ocupam o espaço de um automóvel", destaca a Ruaviva, reforçando que o tráfego de veículos em nossas cidades é responsável por cerca de 80% do ruído urbano.

LOCOMOÇÃO
Comerciante usa bicicleta para
se locomover até o trabalho
Foto: Dayse Maria/Folha da Região
Araçatuba possui área propensa para o uso da bicicleta, com topografia plana. Este pode ser um dos motivos para o grande número de pessoas que usam diariamente este veículo para o esporte, lazer ou locomoção. A Prefeitura estima que a cidade tenha uma frota de 60 mil unidades de bicicletas. Já o grupo araçatubense Turma do Pedal aposta que este número está em torno de 140 mil. A estimativa dos empresários do setor é a de que sejam vendidas 800 bicicletas ao mês no município.

Grande parte desta frota é usada pelo trabalhador que deseja chegar ao trabalho com economia, evitando as variações bruscas nos preços dos combustíveis ou a compra de veículos motorizados, que muitas vezes não cabem no orçamento familiar. Alguns possuem automóveis, mas não abandonam a "magrela" no dia a dia.

Desde 1986, quando abriu um comércio no Centro, José Olívio Sertório, 59 anos, utiliza a bicicleta para se locomover até o trabalho. Mesmo com dois automóveis e uma motocicleta na garagem, ele afirma não ter interesse em trocar sua companheira. "Sinto falta no dia que não ando de bicicleta, pois ela é mais rápida e ajuda na minha saúde", afirma.

LAZER

Segundo o preparador físico e personal trainer Elias Paes de Souza, professor de Educação Física do Unitoledo (Centro Universitário Toledo), não há limite de idade para quem busca pedalar como forma de lazer. No entanto, quando a bicicleta é usada para treinamentos e competições esportivas, o ciclista deve estar atento a uma série de cuidados.

"O praticante deve tomar os cuidados necessários, fazendo um exame médico adequado, principalmente cardiológico", afirma Souza, orientando a pessoa procurar um profissional da área médica e do ciclismo para orientá-la.

Desde o ano 2000, o grupo araçatubense Turma do Pedal se reúne quase diariamente para fazer passeios de bicicleta no município. Já passa de 500 o número de participantes, que se dividem em grupos de acordo com o condicionamento físico de cada integrante.

"A coisa foi acontecendo naturalmente. Hoje temos participantes de todas as classes econômicas", afirma o ciclista e empresário do ramo de bicicletas Oscar da Silva Filho, 49 anos.

CICLOVIAS
Segundo Silva, a falta de infraestrutura cicloviária em Araçatuba é um desafio a ser equacionado pelo poder público. Na cidade, há ausência de ciclovias e ciclofaixas, prejudicando quem quer chegar ao serviço ou à escola por meio deste veículo. O empresário afirma que a reivindicação do grupo já dura uma década, e que a atual gestão já recebeu cópia de um projeto de anel cicloviário para a cidade, sugerido pela Turma do Pedal.

Pela proposta, seria construído um sistema de ciclofaixas e ciclovias, que integraria a cidade pelos seguintes pontos: rua Alziro Zarur, rua Marcos Toquetão, avenida Café Filho, avenida Joaquim Pompeu de Toledo, avenida Waldir Felizola de Moraes, avenida dos Araçás e rua Aguapeí, totalizando 12,5 quilômetros de extensão.

O empresário explica ainda que o anel cicloviário seria integrado a outros corredores de trânsito das regiões periféricas, onde é significativa a ocorrência de acidentes envolvendo ciclistas e veículos automotores, como nas avenidas Baguaçu, dos Fundadores, José Ferreira Batista e Odorindo Perenha, a rua Vasco da Gama, os acessos dos bairros Etemp e Verde Parque, entre outros. Até hoje a proposta de criar uma ciclovia não saiu do papel.

Nenhum comentário:

Postar um comentário