quarta-feira, 1 de junho de 2011

Homens e animais 'sobrevivem' do lixo

Apesar de o bairro Arco-íris ter associado a seu nome a imagem que aparece no céu após um dia de chuva, ele não lembra, nem de longe, um dia calmo de verão. A localidade passa boa parte do dia coberta por fumaça tóxica gerada pela queima de lixo descartado irregularmente no minilixão. É neste cenário insalubre que pessoas tentam conquistar seu ganha-pão por meio da coleta de recicláveis.

O coletor Armando Rodrigues da Silva, 63 anos, separa ferro, plástico e papelão para vendê-los numa empresa de reciclagem. Ele diz que chega a ganhar R$ 50 por dia. No entanto, estar no ponto de entulho não foi uma opção de vida. "Passou de 60 anos, ninguém dá serviço na roça ou em firma", diz.

PARCERIA
Quem também atua no minilixão do Arco-íris para obter renda é a coletora Geraciana Maria dos Santos, 44, no local há dois meses. Entre os afazeres da “profissão”, ela ainda arruma tempo para cuidar de uma pequena horta, onde há um broto de feijão e mudas de abóbora e de boldo. Tudo em meio aos entulhos.

Para aguentar o calor do dia, os dois companheiros de trabalho ergueram uma barraca com materiais do lixo. Na construção improvisada, há um colchão para descanso, roupas, rádio de pilha e alguns alimentos. Faltam máscaras e luvas para a proteção, mas eles não lamentam as condições. "Mesmo na fumaça, eu estou ganhando o meu dia", explica Geraciana.

Do outro lado do minilixão, duas mulheres são vistas descansando numa espécie de barraca, quase encobertas pela fumaça tóxica. Segundo os coletores da região, elas também trabalham no ponto de entulho, mas não se sentiram à vontade para dar entrevista.

Além da sujeira e da fumaça, quem usa esses espaços para ganhar o pão de cada dia ainda convive com outro risco: o de insetos peçonhentos, uma vez que muitos gostam de ambientes com entulho para viver e procriar.

ESQUECIDOS
Os coletores do Arco-íris têm uma amiga, a cachorra Labá, que passou a semana com a pata machucada. Num outro ponto de entulho, localizado na rua Clóvis Pestana, no bairro Vila Alba, um cachorro de rua adotou um sofá como moradia.

Para se alimentar, o animal que vive no sofá depende da solidariedade de desconhecidos, que deixam um pouco de arroz e água sobre uma tábua. O cão mostra sua simpatia e obediência, no aguardo de alguém para adotá-lo, porém, há poucos metros dele, o corpo de um cachorro em decomposição deixa dúvidas se o cachorro do sofá sobreviverá por muito tempo.

CADASTRO
A Folha da Região questionou a administração municipal sobre as condições insalubres dos trabalhadores do minilixão, assim como se eles estão cadastrados em algum programa social do município, que possa retirá-los do emprego informal e dar condição digna de vida a estas pessoas.

Por meio de nota, o Executivo informou que "está em processo de implantação o cadastramento dos catadores de resíduos reutilizáveis e recicláveis. Outra iniciativa estimulada pela Secretaria [de Meio Ambiente] é a associação desses catadores em uma cooperativa."

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