quarta-feira, 1 de junho de 2011

Mata Atlântica quase desaparece na região

Mata na área do antigo Country Clube
é uma das poucas que sobraram
no município da Mata Atlântica
Foto: Paulo Gonçalves/Folha da Região
A Mata Atlântica quase desapareceu na região de Araçatuba. A pesquisa Atlas dos Remanescentes Florestais, divulgada na semana passada, mostra que restam apenas 4,87% das áreas originais. A ação humana e os impactos dos ciclos econômicos são apontados como determinantes para a devastação do bioma mais rico em biodiversidade do planeta.

As perdas mais recentes ocorreram no período de 2008 a 2010, quando dez hectares do bioma foram retirados da região. A devastação só não foi maior porque não há muito mais o que se perder. Originalmente, a Mata Atlântica cobria 1.859.153 hectares nos 43 municípios da região. Com os ciclos econômicos do café, da pecuária e da cana-de-açúcar, restaram somente 90.577 hectares.

"De fato, sobrou muito pouco para ser devastado", afirma Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), sobre os números da região.

O diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, aponta as monoculturas como responsáveis pelo desflorestamento regional. "Essa era uma região [a de Araçatuba] em que passou o café, depois as pastagens e agora é uma região de cana. O grande problema que a gente tem é a grande proximidade da cana com as áreas de preservação permanente", afirma.

RESULTADOS
O Atlas organizado pelo Inpe e pela SOS Mata Atlântica revela que, nos últimos dois anos, apenas duas cidades da região apresentaram desflorestamento. Seis hectares foram devastados em Ilha Solteira, onde ainda restam 6% do bioma. Em Avanhandava, cujo território preservou 4%, as recentes perdas apontam diminuição de quatro hectares.

Os municípios vizinhos de Santo Antônio do Aracanguá e Araçatuba registram as maiores perdas absolutas de Mata Atlântica no decorrer da história, 124.938 e 113.686 hectares, respectivamente. Aracanguá ainda manteve o bioma em 5% de seu território, enquanto Araçatuba conservou 3%.

Dentre as cidades que mais preservaram desde o início da ocupação humana, estão Guaraçaí e São João de Iracema, pois cada uma manteve 10% da área original do bioma em seus territórios. Na lista das que mais perderam proporcionalmente, aparecem os municípios de Bilac, Buritama e Glicério, onde restam somente 2% da cobertura original.

DEVASTAÇÃO
No Estado de São Paulo, as cidades que mais perderam cobertura vegetal da Mata Atlântica entre 2008 e 2010 foram Bertioga (76 hectares), Jacupiranga (75), Iguape (54) e São Paulo (27). Em todo o País, 31.195 hectares foram devastados no mesmo período. De acordo com Márcia Hirota, coordenadora do Atlas pela SOS Mata Atlântica, o estudo comprova que a supressão da floresta nativa é contínua.

"Dependemos dos recursos naturais e dos serviços ambientais da Mata Atlântica que são essenciais para a sobrevivência dos 112 milhões de habitantes no domínio do bioma", afirma Márcia.

CÓDIGO FLORESTAL
Flávio Ponzoni, coordenador técnico da pesquisa pelo Inpe, menciona que "as próximas versões do Atlas deverão incluir a observação de itens sensíveis à aprovação do novo Código Florestal no que se refere a possíveis impactos negativos na tendência de decréscimo das taxas de desflorestamentos."

O Atlas dos Remanescentes Florestais considera os limites do bioma Mata Atlântica tendo como base o mapa da área da aplicação da Lei Federal 11.428, de 2006. A utilização dos novos limites implicou na mudança da área total, da área de cada Estado, do total de municípios e da porcentagem do bioma remanescentes em cada uma dessas localidades.

A expectativa dos organizadores da pesquisa é a de que as informações geradas sejam úteis para contribuir ao conhecimento e para subsidiar estratégias e ações políticas de conservação da Mata Atlântica.

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