quarta-feira, 1 de junho de 2011

Minilixões se proliferam em Araçatuba

Área do bairro Arco-íris transformada em minilixão
Foto: Paulo Gonçalves/Folha da Região
O antigo lixão de Araçatuba foi durante muitas décadas motivo de vergonha para o município, até ser desativado em 2002. Neste local, o lixo produzido pela cidade era depositado de maneira descontrolada, poluindo o solo e as águas. Após quase uma década, o problema volta a "bater na porta" da cidade na forma dos minilixões, que já são pelo menos 11 nas áreas periféricas.

Formados por restos de construção civil, restos de árvores, animais mortos e lixo domiciliar, os minilixões não possuem autorização da Prefeitura para existir, mas persistem pela falta de conscientização de parte da população. Especialistas alertam que o problema, agravado por falhas na fiscalização e na infraestrutura oferecidas pelo poder público, pode trazer graves prejuízos ao meio ambiente e à saúde do ser humano.

Um dos locais com esse tipo de problema é o bairro Chácara Arco-íris. Apesar de a região ter área autorizada para o despejo de entulho da construção civil, um local clandestino para o depósito de resíduos inertes foi erguido há cerca de um ano.

TÓXICO
Com as queimadas frequentes, que liberam grande quantidade de fumaça e gases tóxicos, é quase impossível permanecer neste ponto de entulho. Mesmo assim, moradores põem em risco a própria saúde em busca de recicláveis para garantir seu sustento.

Numa área de preservação permanente, perto da antiga pista de motocross, entre os bairros José Passarelli e Morada dos Nobres, a placa da Prefeitura deixa claro: "Proibido jogar lixo, entulho e a entrada de animais." O aviso, porém, não intimida o descarte de lixo.

Na última quarta-feira (18), a reportagem flagrou o desrespeito com a área de preservação, onde mina uma das nascentes do córrego Machadinho. Um veículo despejou restos de árvores, madeira e entulho. Nenhum fiscal da Prefeitura estava no local. Sem saber que a conversa estava sendo gravada, um dos homens que descarregou o lixo disse ter consciência de que era proibido jogar entulhos ali. "Mas fica aberto, aí o povo vem e joga", justifica.

CONTAMINAÇÃO
A engenheira ambiental Livia Stefania Rosseto, formada pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Presidente Prudente, alerta que os resíduos encontrados nos minilixões de Araçatuba podem contaminar o solo, os corpos d'água e o lençol freático, afetando a qualidade de vida de quem mora na região.

"A queima a céu aberto de qualquer resíduo sólido traz malefícios para a população, já que sua combustão libera para a atmosfera material particulado e gases tóxicos", afirma a engenheira.

A queima de madeiras de demolição com conservantes ou tinta, muito encontradas nos pontos de entulho, liberam poluentes como o chumbo, cádmio, arsênio, cobre ou zinco. A combustão do plástico utilizado na construção civil gera subprodutos altamente tóxicos e que, sem controle, também são liberados no ar e no solo.

Todas estas substâncias afetam direta ou indiretamente a saúde da população, desencadeando doenças respiratórias, câncer e outras enfermidades.

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