quarta-feira, 1 de junho de 2011

Perfil ecológico diferencia habitações

Aquecedor solar em moradia popular de Araçatuba
Foto: Valdivo Pereira/Folha da Região
Acostumado com o padrão tradicional de moradia, o empresário Leandro Henrique Cantieri, 25 anos, vive há quase um ano a experiência de morar num condomínio ecologicamente correto em Araçatuba. Ele, junto com a esposa Eliane Cantieri, 23, e a filha Fernanda, 1, tomam banho com água quente gerada por um aquecedor solar, usam a água da chuva para lavagem do vaso sanitário e convivem com grande quantidade de árvores.

A mudança de moradia fez com que a família Cantieri entrasse para o rol dos brasileiros que buscam gerar o menor impacto possível ao meio ambiente dentro de sua própria moradia. Segundo a arquiteta e paisagista Denise Schneider, o País passa por um avanço na adesão por moradias sustentáveis. Em Araçatuba, as alternativas ecológicas podem ser encontradas tanto nos empreendimentos de alto padrão quanto nos populares.

Para a arquiteta Denise, a casa ecológica é aquela que consegue atender satisfatoriamente um programa, com um impacto socioambiental mínimo. Quem pretende investir nesse conceito deve ter em mente o uso racional de energia e de água, destinação adequada do lixo, incorporação do verde, entre outros itens.

Até o começo do ano passado, Cantieri vivia com a família numa casa do bairro Planalto. Ele pesquisou outras moradias até encontrar o empreendimento com o perfil de sustentabilidade. A conclusão foi a de que o apartamento escolhido tinha um espaço físico parecido com os demais, dentro das necessidades da família, mas os itens ecológicos acabaram sendo um diferencial, sem pesar no bolso no momento da compra.

"Comprei pensando no tamanho do apartamento, mas acabei gostando mais ainda quando soube do seu funcionamento. Pensei na minha família. Passei a dar mais valor ao verde", afirma o empresário.

INCENTIVOS
Denise diz que é preciso considerar os ganhos ambientais e sociais para as moradias nesta relação de custo e benefício. Sobre os incentivos públicos, ela aponta que os itens ecológicos na construção civil são, em alguns casos, mais caros porque precisam ser mais difundidos.

Ela também diz ser necessária a isenção de impostos e créditos subsidiários para incentivar a sustentabilidade nas moradias, como ocorre em países como a Alemanha, onde o governo dá incentivos para reforma de imóveis antigos não alinhados aos conceitos de eficiência energética.

A arquiteta aponta as condições climáticas da região de Araçatuba como favoráveis para o uso de alternativas ecológicas nas construções, especialmente com o uso de energia solar. Por outro lado, ela destaca que é preciso planejar a obra para não direcionar todas as aberturas para o sol, evitando que o calor se torne um vilão da economia energética.

VERDE
Outra alternativa é a criação de espaços verdes na residência, utilizando a vegetação para obter conforto térmico, acústico e visual. A arquiteta sugere o uso de todas as espécies de palmeiras, ipês, jacarandá-mimoso e as helicônias, como exemplos, para os projetos paisagísticos.

O espaço verde pode ser implementado até mesmo nas pequenas moradias, sem a necessidade de muitos recursos financeiro. As hortas caseiras, por exemplo, se adaptam bem a pequenos ambientes, como a cozinha.

Nenhum comentário:

Postar um comentário