quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Ar de Araçatuba é o terceiro pior do Estado

Material particulado é formado por poeiras, fumaças
e todo tipo de material sólido e líquido suspenso na atmosferanda
Foto: Paulo Gonçalves/Folha da Região
A qualidade do ar respirado pelo araçatubense é ruim, de acordo com os padrões da OMS (Organização Mundial da Saúde). A estação de monitoramento de qualidade do ar em Araçatuba aponta a média de MP10 (material particulado) de 58 microgramas por metro cúbico, no período de 1° de abril a 27 de setembro deste ano, quando a contagem local de 2011 passou a ser divulgada. O valor é o terceiro pior do Estado e supera em quase três vezes o nível recomendado pela organização internacional, de até 20 microgramas.

De acordo com a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), que opera em Araçatuba a estação de qualidade do ar na área da Faculdade de Medicina Veterinária no bairro Dona Amélia, o material particulado é formado por um conjunto de poluentes constituídos de poeiras, fumaças e todo tipo de material sólido e líquido que se mantém suspenso na atmosfera por causa de seu pequeno tamanho. A OMS alerta que, quando o poluente é inalado, pode penetrar nos pulmões e na corrente sanguínea, gerando risco de doença cardíaca, câncer de pulmão, asma e infecções respiratórias.

Considerando as 39 estações de monitoramento do ar da Cetesb espalhadas pelo Estado, e que aferem o MP10, a média de partículas poluentes em Araçatuba é a terceira maior de São Paulo, somente atrás de dois pontos de medições no município de Cubatão (Vila Parisi e Vale do Mogi), cidade industrial localizada na Baixada Santista.

Nenhuma das estações da companhia ambiental apontou níveis de material particulado dentro do padrão considerado como ideal pela OMS. A melhor situação foi registrada na cidade de Presidente Prudente (23 microgramas por metro cúbico).

Apesar de estar instalada numa região com vocação agropecuária, a estação de Araçatuba apresenta média de MP10 maior do que a de localidades industriais, como Osasco (51 microgramas), Santos (45), São Caetano (40), entre outras. Supera também importantes cidades de médio porte do Estado, como São José do Rio Preto (43), Americana (39), Piracicaba (38) e Bauru (37).

O cálculo das médias do poluente é feito com base no número de dias em que as estações coletaram dados com representatividade e no valor apresentado. Em Araçatuba, o equipamento consolidou, este ano, 167 dias. O valor é menor do que o período de coleta em Cubatão/Vila Parisi, de 269 dias, e Diadema, 267 dias, mas é superior ao de Jacareí, que considerou 162 dias, e Pinheiros, 163. Até o final do ano, os valores podem sofrer alterações para todo o Estado.

CAUSAS
A OMS explica que as principais fontes de emissão de material particulado para a atmosfera são os veículos automotores, processos industriais, entre outros. Sobre o transporte motorizado, a frota em Araçatuba aumentou 88% nos últimos dez anos, de 68,7 mil unidades, no ano de 2001, para 129,4 mil veículos, em agosto deste ano.

A organização internacional também aponta as fontes de combustão como outra causa para os níveis de MP10 acima do recomendado. De acordo com a Polícia Ambiental, até o dia 16 de agosto deste ano, a área devastada por queimadas na região de Araçatuba foi de aproximadamente 683 mil hectares. Araçatuba está entre os principais municípios onde ocorreram os incêndios em pastagens e lavouras, responsáveis por liberar toneladas de substâncias tóxicas para a atmosfera.

"A poluição atmosférica é um grave problema de saúde. É vital que nós aumentemos os esforços para reduzir o impacto que ela cria na saúde", defende Maria Neira, diretora da OMS para Saúde Pública e Meio Ambiente, em nota enviada por e-mail. "Se nós monitorarmos e gerenciarmos de forma adequada o ambiente, podemos reduzir significativamente o número de pessoas que sofrem de doenças respiratórias, cardíacas e câncer."


PARÂMETROS
A Cetesb utiliza parâmetros mais flexíveis do que os da OMS para avaliar a qualidade do ar. Enquanto o órgão internacional adota como limite para a saúde humana até 20 microgramas por metro cúbico de MP10, a companhia ambiental considera o limite "bom" em até 50 microgramas por metro cúbico.

Assim, a média de 58 microgramas de material particulado registrada este ano em Araçatuba está na classificação regular da Cetesb, perto do índice considerado como adequado.

No entanto, a companhia ambiental reconhece que o patamar "regular" já pode causar reflexos para pessoas com doenças respiratórias, que podem apresentar sintomas como tosse seca e cansaço.

A maior tolerância com os índices de poluição foi alvo de uma manifestação pública no ano passado. A Cetesb recebeu abaixo-assinado com 1,5 mil assinaturas, encabeçado pela Rede Nossa São Paulo, pedindo para o órgão do governo paulista adotar os padrões da OMS para avaliar a qualidade do ar em todo o Estado.

Procurada pela Folha da Região para se manifestar sobre os parâmetros de qualidade, os níveis de poluição do ar em Araçatuba e ações que estão sendo tomadas para controlar o problema, a assessoria de imprensa da Cetesb informou que não iria comentar o caso.

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