quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Projeto para despoluir rio já custou US$ 1,6 bi

Tietê poluído cortando a região metropolitana
Foto: Divulgação/Sabesp
O turista estrangeiro que desembarcar na capital paulista para acompanhar a Copa do Mundo no Brasil, em 2014, irá conhecer de perto o rio Tietê poluído. Mesmo quando a Copa terminar, a despoluição do rio ainda irá demorar muitos anos.

A meta da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) é a de universalizar o serviço de coleta e tratamento de esgoto em toda sua área de atuação até o final desta década (2020). De 1992 a 2008, a empresa de saneamento já gastou US$ 1,6 bilhão na despoluição do rio, mas o paulistano ainda não viu, ao menos no trajeto do Tietê na capital, os investimentos tornarem as águas menos imundas.

O Projeto Tietê teve início em 1992, com a assinatura, em dezembro daquele ano, do contrato de empréstimo com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para a primeira etapa da despoluição, com o objetivo de ampliar a coleta e tratamento de esgoto em toda a região metropolitana de São Paulo, fazendo com que o esgoto deixe de ser lançado nos rios sem tratamento. A ação ocorreu após manifestação popular seguida de um abaixo-assinado com mais de 1,2 milhão de assinaturas pedindo a despoluição do rio Tietê.

De acordo com a assessoria de imprensa da Sabesp, o Projeto Tietê prevê investimentos da empresa de saneamento em todos os municípios onde atua na região metropolitana de São Paulo, com obras concluídas ou em andamento em 29 municípios. "Nem todas as cidades são operadas pela Sabesp. E, nesses casos, é necessário que a concessionária local faça os investimentos. Para despoluir o rio, é necessário que todos façam a sua parte, ou o resultado não será visível", adianta a empresa.

A terceira etapa, que deverá ser concluída em 2015, promete beneficiar 1,5 milhão de pessoas com rede de coleta de esgoto, com tratamento para mais 3 milhões de moradores. O investimento é de US$ 1,05 bilhão. Esta fase pretende subir a abrangência da coleta de 84% para 87%. Já o tratamento de esgoto deverá aumentar de 70% para 84%.

MARGINALIZADO
Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica, explica que há muitos anos o rio Tietê vem sendo marginalizado e isolado da população, sobretudo na região metropolitana de São Paulo. "Queremos mostrar para a população que à medida que o rio for recuperado, abrimos uma série de oportunidades, como a melhoria da paisagem urbana, uma opção de transporte coletivo e também atividades de lazer junto a suas margens", afirma.

"As pessoas falam que já foi investido tanto dinheiro e se questionam sobre o motivo de o rio continuar desse jeito. Poluir é fácil, mas despoluir é muito difícil. A despoluição de alguns rios europeus, como o Tâmisa (Inglaterra), demorou mais de cem anos," afirma Malu, explicando que já é possível perceber o recuo da mancha de poluição a partir do interior do Estado.

FÊNIX
O rio Tietê mal se forma na cidade de Salesópolis e já encontra a região mais industrializada e populosa do Brasil, a região metropolitana de São Paulo. Ainda com pouca força e água, ele começa a receber toneladas de lixo e esgoto até chegar à cidade de São Paulo completamente sujo.

Após passar pela capital, o Tietê continua recebendo a poluição de rios e córregos que deságuam nele, como o Pinheiros, até a cidade de Jundiaí. Mas não é em toda a extensão do rio que se vê poluição. Em Itu, Porto Feliz e Salto a poluição começa a diminuir nas quedas e corredeiras, o que contribui para oxigená-lo e diminuir sua sujeira.

Seguindo para o interior, o rio percorre rochas de origem vulcânica, atravessa as serras do Tabuleiro e de Botucatu e, finalmente, chega limpo à Barra Bonita. Nesta cidade, o rio é volumoso e navegável na maior parte de seu curso. De lá, ainda existe um longo caminho até alcançar a fronteira entre os Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, onde irá desaguar no rio Paraná.

É justamente em seu trajeto final que o Tietê banha 14 municípios da região de Araçatuba. Último levantamento da qualidade das águas no Estado, divulgado este semestre pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), classifica como "boa" a água do rio para proteção da vida aquática na Bacia do Baixo Tietê. Nos demais trechos, a classificação varia entre regular e péssima.

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