quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Município promete fim a ‘elefante cinza’

Município mantém atualmente área para
descarte de entulho de construção civil
Foto: Paulo Gonçalves/Folha da Região
A área para o despejo de entulho localizada no bairro Arco-íris, em Araçatuba, representa para o município aquilo que pode ser chamado de "elefante cinza" da construção civil. A situação do espaço impõe um desafio à administração municipal para ser resolvido com urgência, pois, enquanto a expansão imobiliária cresce em ritmo acelerado, gerando quase 200 toneladas de resíduos diariamente, a vida útil do espaço provisório já está no limite.

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Araçatuba adotou o problema como uma das prioridades para o ano de 2012. De acordo com o secretário da pasta, o ambientalista Jorge Hector Rozas, a intenção é instalar uma usina de reciclagem de resíduos da construção civil, por meio de parceria entre o poder público e a iniciativa privada. A ação demanda investimento que varia de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão.

O projeto precisa passar pela avaliação da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). "Já estou licenciando uma área para a instalação desta usina, pois, como essa usina vai atender Araçatuba, talvez toda a região, é necessário um licenciamento específico. Já começamos a fazer o levantamento topográfico da área para, em janeiro, entrarmos com a papelada de licenciamento na Cetesb", afirma Rozas. A área planejada para a instalação fica próxima ao aterro sanitário, na zona rural.

A usina de reciclagem pode representar para o município e região um projeto que alia preservação ambiental com sustentabilidade. Além de impedir que o entulho contamine áreas abertas, a reciclagem deste material pode servir para a fabricação de novos produtos para o setor habitacional e para a infraestrutura urbana, como a pavimentação na forma de brita, agregado para concreto, cascalhamento de estradas, entre outros, conforme estudo da USP (Universidade de São Paulo).

BOTA-FORA

A estimativa de que quase 200 toneladas de entulhos são geradas diariamente em Araçatuba foi feita por Rozas. "Hoje, em qualquer cidade, o que se produz de lixo, se produz de entulho. Nós estamos produzindo 180 toneladas de lixo por dia", explica.

Por enquanto, os resíduos da construção civil terminam num ponto provisório de despejo localizado no bairro Arco-íris, uma espécie de "bota-fora", que Rozas garante que será fechado em breve. "A vida útil desse bota-fora já está no limite", confirma o secretário.

Além de não ter mais capacidade para os resíduos, o local também enfrenta problemas relacionados com o entulho, como as constantes queimadas, que liberam grande quantidade de fumaça tóxica para a atmosfera.

PARCERIA

Rozas diz que será preciso fazer parceria com a iniciativa privada para investir o montante necessário no projeto, tendo em vista que a secretaria não dispõe de recursos para este trabalho. "Eu me preocupei muito nestes últimos meses em estimular a iniciativa privada para que seja a grande parceira do município na solução deste problema. A gente já visualiza boas realizações imediatamente ao começar o ano de 2012", diz Rozas, sem adiantar nomes de possíveis parceiros.

Na estimativa do secretário, o investimento milionário pode ser recuperado em médio prazo por meio da comercialização do reciclável. "Uma usina de porte médio, como a que a gente está pensando para Araçatuba, vai precisar de cerca de 30 pessoas trabalhando de maneira direta, além dos caminhoneiros e caçambeiros para toda a logística", diz Rozas.

MODELO
Com a obtenção de licenciamento para o espaço, os investimentos na usina poderão ocorrer por meio da iniciativa privada, no mesmo formato que proporcionou ao ecoponto do bairro Corazza a começar, este ano, a trituração de resíduos de galhos de árvores e madeiras para transformá-los em biomassa.

O Executivo permitiu o uso da área pela empresa Monte Azul Engenharia Ambiental para a operação do serviço. A permissão do uso ocorreu sem custos para o município, com duração de um ano, podendo ser prorrogada. O picador de madeira foi adquirido pela Monte Azul, que investiu R$ 200 mil na máquina e na infraestrutura necessária.

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