terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A vaidade e os cuidados de quem vive do lixo

Célia trabalha com máquina coletora, mas não abre mão da maquiagem
Foto: Alexandre Souza/Folha da Região
Quando a esteira para triagem de lixo é desligada, perto do meio-dia, as mulheres da cooperativa se preparam para o almoço. É neste instante que os bonés e as toucas são retiradas e dão lugar aos rostos.

Alguns semblantes guardam as marcas do sol e do tempo, mas as vaidosas cooperadas não abrem mão de sua feminilidade, trazendo em suas bolsas batons, pós e outras maquiagens para dar um retoque ao longo do serviço.

"Antes de sair de casa, passo creme e protetor. Já saio de lá maquiada, com brincos e cabelo penteado", conta a cooperada Lucimara da Cruz Barbosa, 31 anos, moradora do Água Branca. "Não tenho vergonha de falar que trabalho com material reciclável."

RENDA
Antes de trabalhar com o lixo, Lucimara era faxineira e limpava um apartamento duas vezes ao mês, recebendo R$ 50 para cada dia trabalhado. Na cooperativa, a renda mensal dela está pelo menos cinco vezes maior. Ela diz que o dinheiro obtido ajuda nos gastos de casa, onde vivem também o marido e o filho de 1 ano.

Quem também não abre mão dos cuidados com a imagem é Célia Calixto Silva. Após operar a máquina coletora de resíduos, ela faz uma pausa para retocar a maquiagem. Enquanto trabalha, a cooperada exibe brincos, unhas bem cuidadas, sobrancelha aparada e uma delicada pulseira de flores.

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