segunda-feira, 23 de abril de 2012

Sítio prega a sustentabilidade entre homem e Baguaçu

Jefferson Rabal pega água do Baguaçu
com chapéu: "Suprir necessidades de
forma sustentável."
Foto: Paulo Gonçalves/Folha da Região
Fazendas, estradas, avenidas, bairros nobres, habitações inadequadas, pastagens e poucas áreas preservadas são alguns dos cenários observados ao longo do ribeirão Baguaçu. Antes de fornecer 70% da água consumida em Araçatuba, o afluente é vítima da degradação ambiental. No entanto, o trabalho desenvolvido numa propriedade rural no município de Coroados pode servir como modelo para a sociedade quitar parte de sua dívida com o manancial, lembrado hoje (22 de abril) pelo Dia do Ribeirão Baguaçu.

No Sítio Naturaleza, às margens do Baguaçu, a prioridade é proteger as águas do ribeirão. Parte da propriedade é utilizada pela organização não governamental AGA (Associação do Grupamento Ambientalista) para ações de educação ambiental e recuperação de APP (Área de Preservação Permanente) sem a utilização de produtos químicos.

O sítio tem seis hectares e fica aproximadamente a três quilômetros da nascente do Baguaçu. Antes de desaguar no rio Tietê, o ribeirão atravessa pouco mais de 50 quilômetros, cortando municípios da região como Braúna, Bilac, Birigui e Araçatuba.

Na década de 1990, as pastagens para a pecuária predominavam no sítio. Porém, nos últimos cinco anos, cerca de 700 árvores já foram plantadas no local. Na técnica de recuperação empregada pela AGA, são aplicadas ações simples que promovem o enriquecimento florestal. Além de realizar o plantio de espécies nativas estratégicas, com baixo custo para o produtor, aves são atraídas para a área com o objetivo de promover o plantio natural de sementes.

O aposentado Jesus Rabal Chambô, 64 anos, é o proprietário das terras do Naturaleza desde 2001. Ele diz que sempre teve o sonho de ter uma propriedade rural que se relacionasse em harmonia com a natureza. "Eu acho que preservar é uma obrigação de todos nós. Quando eu encontro uma semente, a guardo para fazer uma muda", afirma. O nome do sítio é uma mistura das palavras "natureza" e "beleza".

TRAGÉDIA
Em setembro do ano passado, um incêndio devastou a propriedade e, principalmente, a área de preservação permanente do Baguaçu que vinha sendo recuperada. A maioria das mudas foi queimada. Todo rio necessita que a vegetação nativa do seu entorno seja protegida.

O incêndio foi denunciado à polícia e a perícia foi acionada ao local para buscar provas que ajudem nas investigações do caso. A suspeita é que o fogo tenha se iniciado em um canavial vizinho, possivelmente porque não se adotou as medidas legais e de proteção durante a queimada.

FÊNIX
Seis meses já se passaram após a tragédia ambiental, tempo em que a natureza se encarregou de promover o renascimento das árvores afetadas com a queimada. Mesmo com o trabalho da ONG, e contando que o espaço não será vítima de futuros incidentes, a estimativa é que demore pelo menos cinco décadas para que a área do sítio volte a ter uma floresta como no passado, antes das intervenções humanas.

"Nós almejamos que todas as necessidades da propriedade sejam supridas de maneira sustentável", afirma o ambientalista da AGA Jefferson Rabal, 37, que também é filho de Chambô. Ele explica que outra ação realizada na propriedade foi o trabalho de curvas de nível.

Esse sistema cria verdadeiros degraus em terrenos inclinados para evitar que as águas das chuvas deslizem com força. Além de evitar que o solo fique menos fértil, a medida ajuda a prevenir o assoreamento dos corpos d'água e favorece o surgimento de minas d'água, responsáveis por aumentar o volume do Baguaçu.

LEIA TAMBÉM: Sítio de Coroados trata esgoto com tecnologia da Embrapa

Nenhum comentário:

Postar um comentário