quinta-feira, 3 de maio de 2012

Pesquisa busca alternativa para mexilhão-dourado

Andréa e Silva explicam que é possível observar
a formação de grandes colônias no rio Tietê
Foto: Valdivo Pereira/Folha da Região
A bioinvasão do mexilhão-dourado, molusco originário de países do leste asiático e de rios chineses, causa prejuízos econômicos e ambientais na região de Araçatuba. A espécie exótica se instalou nos rios Paraná e Tietê, ainda na década passada, chegando ao município de Araçatuba. Como não encontra predador natural, o animal se espalha com facilidade e acarreta gastos milionários para o controle da infestação em usinas hidrelétricas.

Pesquisadores da Fatec (Faculdade de Tecnologia) de Araçatuba estão buscando alternativas para usar o animal na correção da acidez dos solos cultivados com a cana-de-açúcar e também como fertilizante natural. Andréa Meiado Chiarioni, graduanda de Tecnologia em Biocombustíveis, e Marcel Ricardo da Silva, tecnólogo em Biocombustíveis, estudam a espécie invasora desde 2009.

O objetivo é unir o uso de um produto ecologicamente renovável com a necessidade de controle da bioinvasão do mexilhão-dourado. Conforme eles, o rio Tietê possui as características ideais para o desenvolvimento do animal, como temperaturas entre 17˚C e 30˚C e altas concentrações de organismos vegetais aquáticos.


ETAPAS
Os pesquisadores coletaram o mexilhão em 2010, numa plataforma flutuante sobre o rio Tietê, em Araçatuba. Após a coleta, foi utilizado um equipamento de pré-secagem manual, desenvolvido para que houvesse a retirada do excesso de umidade sem a perda de exemplares. A secagem principal foi feita numa estufa caseira, seguida pelo processamento e trituração da amostra. Após esta etapa, o resíduo moído foi analisado.

ADEQUAÇÃO
Andréa diz que, conforme a metodologia utilizada neste estudo, o material obtido através da trituração do mexilhão-dourado desidratado é inviável para fins comerciais como corretivo da acidez ativa do solo, havendo a necessidade de estudos para a complementação e adequação do produto.

"No entanto, o alto teor de cálcio presente no resíduo sugere o uso como fonte de nutrientes", explica. Para ela, a espécie exótica também pode ser uma alternativa à exploração de jazidas de rochas calcárias, diminuindo o impacto ambiental causado por esta atividade.

Silva testou o material triturado em compostagem com vinhaça (resíduo da indústria da cana). "Assim como a vinhaça, que já foi um problema, quem sabe o mexilhão-dourado também possa ser uma alternativa para a agricultura", disse o tecnólogo.

Os dois pretendem ampliar as pesquisas por meio de um mestrado. Até agora, eles contaram com a orientação da doutora Sandra Maria de Melo e do mestre Sérgio Ricardo Lima Negro, ambos da Fatec.

COMPETIÇÃO
"O mexilhão-dourado pode ser encontrado fixado sobre algas, raízes de plantas e animais aquáticos nativos prejudicando a estrutura na qual se adere, competindo por espaço e alimento. Assim como a maioria dos moluscos filtradores acumula poluentes presentes no ambiente", explica a pesquisadora Andréa, sobre os danos ambientais que a espécie invasora está trazendo para a região.

De acordo com os pesquisadores da Fatec, na região de Araçatuba, é possível observar a formação de grandes colônias em diversas estruturas naturais e artificiais submersas próximas às margens do rio Tietê, inclusive na estrutura física do estaleiro em construção.

"Com a intensificação do fluxo de embarcações, as chances da bioinvasão atingir áreas ainda não afetadas torna-se um risco iminente", alerta a pesquisadora.

Andréa sugere novas pesquisas para a análise do potencial do resíduo do mexilhão-dourado como adubo destinado para a cultura da cana-de-açúcar e para a produção de açúcar orgânico.

Por enquanto, a recomendação é para que o método não seja aplicado comercialmente, pois há risco de exemplares estarem contaminados com material tóxico e bactérias, que poderiam ser levados para o solo. No material usado para a pesquisa, testes feitos em laboratório não detectaram nenhum tipo de material perigoso.

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