quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Cachorro-vinagre é registrado vivo em Minas Gerais

Imagem extraída da filmagem feita no
Parque Estadual Veredas do Peruaçu
Imagem/Reprodução (WWF-Brasil/Instituto Biotrópicos)
Muito arredio e com hábitos praticamente desconhecidos pela Ciência, o cachorro-vinagre (Speothos venaticus) é apontado por pesquisadores como um "fantasma".

A espécie foi descrita em 1842 pelo dinamarquês Peter Lund, considerado o pai da paleontologia brasileira. Desde então, os últimos relatos oficiais em Minas Gerais foram rastros e dois animais mortos.

No final de outubro, um exemplar vivo foi filmado no Parque Estadual Veredas do Peruaçu, no norte do Estado. A façanha foi possível com "armadilhas fotográficas" instaladas por meio de uma parceria entre o WWF-Brasil e o Instituto Biotrópicos (confira o vídeo abaixo).

"Há sete anos tentávamos registrar a espécie na região. Nem acreditei quando vi a filmagem", comemora o biólogo Guilherme Ferreira, do Biotrópicos.

O cachorro-vinagre tem pelagem marrom escura, corpo alongado de até 70 cm, tem pernas e orelhas curtas e pesa cerca de 5 quilos. Sua urina tem um forte cheiro de vinagre. Daí o nome. Pode ser encontrado no Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia e é um dos menores e mais sociais canídeos da América do Sul, pois forma bandos permanentes com até uma dezena de animais.

VULNERÁVEL
A espécie está em situação vulnerável no País e criticamente ameaçada em Minas Gerais. Desmatamento, conflitos com populações, ataques e transmissão de doenças por animais de estimação são seus principais inimigos.

Por isso é importante manter áreas protegidas conectadas com corredores ecológicos, respeitar a legislação em propriedades rurais e cuidar da saúde de animais domésticos em todo o Vale do Peruaçu, onde o registrou ocorreu. O rio é um afluente do São Francisco.

A região faz parte do Mosaico de Unidades de Conservação Sertão Veredas-Peruaçu, que se espalha por quase 2 milhões de hectares do norte de Minas Gerais e sudoeste da Bahia. Para o superintendente de Conservação do WWF-Brasil, Michael Becker, a descoberta reforça a importância das unidades de conservação para o Cerrado. Com informações da WWF-Brasil (http://www.wwf.org.br).

No vídeo abaixo, pesquisadores do Instituto Biotrópicos explicam como funcionam as "armadilhas fotográficas":



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