quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Coleta de sementes gera 1 milhão de mudas

Viveiro na usina de Promissão
Foto: Paulo Gonçalves/Folha da Região
Bioma mais ameaçado do Brasil, a Mata Atlântica já chegou a cobrir 1.856.234 hectares nos 43 municípios da região de Araçatuba. Com os ciclos econômicos do café, pecuária e cana-de-açúcar, além da urbanização, restaram somente 78.362 hectares, ou 4,2% do total. Os dados da Fundação SOS Mata Atlântica revelam que, além de preservar o que restou, é preciso intervir com a produção de mudas para que não ocorra a extinção de espécies da fauna e da flora.

O programa Manejo de Flora, da AES Tietê, faz a coleta de sementes de 120 espécies nativas e ajuda a garantir variedade genética nos trabalhos de reflorestamento na região de Araçatuba e em outras localidades do interior paulista. São produzidas por ano um milhão de mudas da Mata Atlântica e do Cerrado. O trabalho se concentra no viveiro da Usina Hidrelétrica Promissão, a 130 quilômetros de Araçatuba.

Uma das etapas mais importantes do programa é a coleta de sementes, trabalho acompanhado este mês pela Folha da Região, numa mata vizinha à usina. O processo começa com a escolha de árvores matrizes. Exemplares de uma mesma espécie devem ser analisados e, aqueles que apresentam aspectos mais saudáveis, são escolhidos para a extração. As matrizes recebem um código de identificação e são cadastradas digitalmente num software de localização.

VARIABILIDADE
O engenheiro florestal Alexandre Astorino, que atua no setor de meio ambiente da AES Tietê, explica que o programa seleciona matrizes em municípios que ficam na microrregião de Lins e Promissão, dos lados direito e esquerdo do rio Tietê. As coletas ocorrem, em média, duas vezes por semana.

"Para quem colhe sementes, é importante ter variabilidade genética no seu produto e, para isso, árvores distintas na mata devem compor o lote", explica, ressaltando que a equipe formada por oito funcionários realiza o trabalho o ano todo.

ANIMAIS
Várias técnicas são aplicadas para coletar diretamente das matrizes. A retirada com o auxílio de ferramentas manuais é eficaz para as árvores mais altas. Também se aproveita as sementes que caem naturalmente no solo. Nos casos em que a altura não pode ser atingida por equipamentos, é empregada a técnica de escalada. Neste processo de "caça às sementes", os animais silvestres são de grande importância.

A colheita do baru representaria um desafio, pois a semente desta árvore fica dentro de um fruto coberto por uma polpa, que precisa ser retirada para iniciar a germinação. No entanto, os coletores não têm esse trabalho, pois contam com a ajuda de morcegos. O mamífero voador não resiste ao aroma e ao sabor do fruto, se alimentando da polpa e deixando no chão a semente que será utilizada no programa de reflorestamento.

Para árvores mais altas, como o pau-formiga, que ultrapassa dez metros, é preciso utilizar o podão, ferramenta usada para atingir a copa. No alto, é possível agitar e cortar os galhos, fazendo cair uma verdadeira chuva de sementes. Mas há casos como a espécie olho-de-cabra, cuja semente, das cores preta e vermelha, pode ser facilmente vista e coletada no chão da mata.

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