terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A vaidade e os cuidados de quem vive do lixo

Célia trabalha com máquina coletora, mas não abre mão da maquiagem
Foto: Alexandre Souza/Folha da Região
Quando a esteira para triagem de lixo é desligada, perto do meio-dia, as mulheres da cooperativa se preparam para o almoço. É neste instante que os bonés e as toucas são retiradas e dão lugar aos rostos.

Alguns semblantes guardam as marcas do sol e do tempo, mas as vaidosas cooperadas não abrem mão de sua feminilidade, trazendo em suas bolsas batons, pós e outras maquiagens para dar um retoque ao longo do serviço.

"Antes de sair de casa, passo creme e protetor. Já saio de lá maquiada, com brincos e cabelo penteado", conta a cooperada Lucimara da Cruz Barbosa, 31 anos, moradora do Água Branca. "Não tenho vergonha de falar que trabalho com material reciclável."

Imagens do lixão ainda estão na memória

Terezinha (boné rosa) passou cinco anos coletando materiais do lixão
Foto: Alexandre Souza/Folha da Região
Há dez anos, a vida da coletora Terezinha Mendes de Souza era bem diferente de hoje. Nesta época, ela e outros moradores de Araçatuba dependiam de materiais recicláveis retirados do antigo lixão.

O espaço foi desativado em 2002, mas ainda deixa lembranças em quem viveu ali. "Uma cena muito triste é de quando a gente achava criancinha morta", se recorda Terezinha, sobre fetos abortados que eram jogados no espaço.

Mulheres tiram sustento do que é descartado

Depois de separados, os materiais recicláveis
são beneficiados e encaminhados para
várias indústrias de SP que compram o produto
Foto: Alexandre Souza/Folha da Região
O lixo é conhecido pelo ser humano como tudo aquilo que não tem mais valor e nem condição de ser usado. Um grupo formado por 26 mulheres tem uma visão diferente deste pensamento. Reunidas numa recém-criada cooperativa de reciclagem em Araçatuba, elas obtêm o seu ganha-pão por meio daquilo que a sociedade descartou um dia.

A Cooper Araçá (Cooperativa de Coleta Seletiva e Beneficiamento de Materiais Recicláveis de Araçatuba) é composta por 26 mulheres e 3 homens. O grupo atua nas instalações do aterro sanitário, localizado na zona rural. A cooperativa tem o apoio da Prefeitura de Araçatuba e da Revita Engenharia, empresa responsável pela limpeza pública.

O salário dos cooperados é pago com a venda dos recicláveis coletados no município. A faixa etária do grupo varia de 19 a 56 anos de idade. Em comum, são pessoas que trabalhavam de forma perigosa com o lixo. Alguns exerciam funções com baixíssima remuneração, se encontravam em situação de vulnerabilidade social ou não tinham trabalho.

Na natureza, andorinhas são como ‘faxineiras’

Andorinhas na fiação elétrica: importantes ao meio ambiente
Foto: Divulgação
As primeiras revoadas de andorinhas na praça Getúlio Vargas, no bairro Higienópolis, já podem ser observadas pela população. Para muitos moradores, o espetáculo no céu é motivo de transtorno, pois os animais deixam o espaço repleto de fezes. Em contrapartida, especialistas lembram que estas aves são verdadeiras "faxineiras" do espaço público.

O biólogo José Luís de Carvalho Sales explica que as andorinhas começam a chegar a Araçatuba no verão, fugindo das regiões mais frias do continente em busca de calor. Elas devem permanecer na cidade até o início do inverno, período em que irão promover uma verdadeira limpeza na cidade, comendo vários tipos de insetos indesejáveis para o ser humano.

Andorinhas e maritacas estão de volta

Para manter o bico afiado, maritacas costumam roer a capa de fios
Foto: Valdivo Pereira/Folha da Região
O céu de Araçatuba virou palco para milhares de visitantes já conhecidos pela população. Como ocorre todos os anos, as andorinhas estão cumprindo seu ciclo migratório e fazendo de praças seu ponto provisório de repouso. Em busca de proteção e acuadas pela redução da vegetação na zona rural, as maritacas também adotam imóveis como espaços para reprodução. A convivência entre seres humanos e aves silvestres costuma gerar conflitos.

Um recente apagão ocorrido na casa do funcionário público estadual Manoel Martins dos Santos, 45 anos, no bairro Icaray, chamou a atenção do morador. Sem saber o motivo da interrupção no fornecimento de energia, pois o local havia sido reformado há pouco tempo, o morador recorreu a um eletricista. O profissional detectou a causa do problema facilmente, pois já tinha presenciado cena semelhante em outros espaços do município.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...