sexta-feira, 22 de março de 2013

Araçatuba perde 40% da água tratada em fraudes e vazamentos

Vazamento de água tratada na rua
Walmir Bertelli, bairro Vista Verde
Foto: Paulo Gonçalves/Folha da Região
No Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, os araçatubenses não têm muitos motivos para comemorar. Por causa de vazamentos e ineficiência no sistema de distribuição, Araçatuba perde 40% da água tratada entre a captação e a torneira do consumidor.

O porcentual corresponde a 8 milhões e 390 mil metros cúbicos por ano do bem mais precioso do planeta, quantidade suficiente para satisfazer, no mesmo período, o consumo de um município com o porte de Birigui.

Os dados são referentes ao último levantamento divulgado pelo Snis (Sistema Nacional de Saneamento Ambiental), do Ministério das Cidades, com base no ano de 2010, quando o Daea (Departamento de Água e Esgoto de Araçatuba) ainda era responsável pelos serviços de saneamento da cidade. Em novembro do ano passado, o tratamento e a distribuição foram assumidos pela Samar (Soluções Ambientais de Araçatuba), por meio de concessão pública.

Conforme o Snis, a produção de água atingiu a marca 20 milhões e 735 mil metros cúbicos em Araçatuba. No entanto, o volume consumido foi de 12 milhões e 345 mil metros cúbicos. A diferença, de 8 milhões e 390 mil metros cúbicos, é justamente a quantidade de água tratada que se perdeu antes de chegar à torneira do morador. Os números mostram que, para cada dez litros de água tratada, quatro não chegam ao seu destino.

Considerando o índice de perdas na distribuição dos 15 municípios que sediam regiões administrativas e metropolitanas no Estado de São Paulo, Araçatuba ocupa a segunda colocação em desperdício, com índice de 46,09%. O valor só é menor ao registrado em São Carlos, de 48,88%, mas supera São José do Rio Preto (31,81%) e Presidente Prudente (33,57%), por exemplo.

Para calcular este índice, o Snis utiliza uma equação que leva em conta muitas variáveis, incluindo o volume de água produzido e consumido como as principais. Os números são informados pelos departamentos e concessionárias e processados pelo ministério.

CHAFARIZ
Nos quatro primeiros meses de concessão, a Samar informa que registrou, em média, 15 vazamentos por dia, já tendo solucionado 90% deles. Em nota, a empresa explica que a principal causa do problema é o estado precário e a qualidade dos materiais utilizados nas ligações e redes de distribuição, além das redes estarem antigas. "Em média, o tempo máximo para o conserto de um vazamento tem sido de cinco dias", esclarece.

Pelo prazo informado pela Samar, os moradores do final da rua Walmir Bertelli, no bairro Vista Verde, terão que esperar um pouco mais de tempo para ver consertado um vazamento de água, um verdadeiro "chafariz" na via pública. A servente Ana Paula Silvestre, 33, diz que percebeu o rompimento do cano na manhã de quinta-feira (21), após a madrugada com chuvas intensas. "A água está jorrando em grande quantidade. Uma pena, pois deveria estar indo para as nossas torneiras", diz.

RECURSOS
Estudo divulgado esta semana pelo Instituto Trata Brasil, uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) sediada em São Paulo, aponta que a redução de perdas de água tratada ajudaria ainda mais as empresas a terem recursos para a expansão do atendimento. Dentre as causas para este problema, destaca os vazamentos, roubos e ligações clandestinas, falta de medição ou medições incorretas no consumo de água.

"As perdas fazem com que mais água tenha que ser retirada da natureza para cobrir a ineficiência, vazamentos e outros problemas no sistema de distribuição. É preciso, portanto, que Governo Federal, governadores e prefeitos lutem por reduções de perdas desafiadoras, pois certamente resultarão em recursos financeiros para levar água potável e esgotamento sanitário a quem não tem", afirma Édison Carlos, presidente executivo do Trata Brasil.

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