domingo, 14 de abril de 2013

Espécies exóticas presentes na região preocupam biólogos

Peixes exóticos são alegria de pescadores,
mas podem trazer desequilíbrio
Foto: Paulo Gonçalves/Folha da Região
Novo banco de dados organizado pelo Instituto Hórus, que trabalha com desenvolvimento e preservação ambiental, listou 20 espécies exóticas presentes na região de Araçatuba. São animais e plantas trazidos de outras áreas pelo ser humano e que, em muitos casos, estão relacionados ao desequilíbrio ambiental, além de prejuízos econômicos e sociais.

A bióloga Sandra Maria de Melo, da Fatec de Araçatuba, explica que nem todas as espécies exóticas são invasoras. “As espécies invasoras apresentam alta taxa de reprodução, crescimento e dispersão e podem gerar impactos nas diversas comunidades. São uma ameaça à biodiversidade, além de acarretar perdas econômicas e prejuízos à saúde humana”, explica.

São exemplos desta biovasão o javali e seu híbrido javaporco, o mosquito da dengue, o pombo comum e o caramujo gigante africano, espécies que podem transmitir doenças e que são originárias de outros continentes.

PEIXES
Tucunaré, carpa, peixe CD, corvina, tilápia e piranha são peixes exóticos que podem ser encontrados no rio Tietê, entre Buritama e Pereira Barreto. Eles foram trazidos nas últimas décadas para a pesca esportiva e comercial. Apesar de garantirem a diversão e o sustento de muitos pescadores, são apontados como nocivos, por competirem com as espécies nativas.

Nativa da Ásia Central, a carpa pode ser encontrada nos reservatórios de Buritama e Promissão, ambos no rio Tietê. Conforme o banco de dados do Instituto Hórus, este peixe é hospedeiro de um parasita que vem causando enormes prejuízos à piscicultura, sendo necessário o emprego de produtos altamente tóxicos e, por vezes, a eliminação de todo o plantel.

MEXILHÃO
MPF moveu ação e cobra controle do mexilhão-dourado
Foto: Valdivo Pereira/Folha da Região
Além do javali, que teve a liberação da caça autorizada, o mexilhão dourado é outra preocupação declarada pelo Governo Federal. Natural da Ásia, o molusco foi introduzido na América do Sul por meio da água de navios provenientes de Hong Kong e da Coreia, primeiramente em portos da Argentina. De lá, se expandiu rapidamente para as porções baixas da bacia do rio Paraná, chegando até o estado de São Paulo.

O mexilhão causa prejuízos no reservatório da usina hidrelétrica de Ilha Solteira, operada pela Cesp (Companhia Energética de São Paulo), no rio Paraná. A companhia investe cerca de R$ 190 mil por ano para controle do molusco em suas instalações, pois ele provoca entupimento de tubulações e outros estragos. O Ministério Público Federal moveu uma ação civil pública para cobrar empenho das autoridades no controle do mexilhão em Ilha Solteira.

ATAQUES
Três espécies de arraias de água doce, conhecidas por poder provocar ferimentos muito dolorosos em humanos, estão colonizando a região do Alto Rio Paraná, da qual fazem parte os municípios de Castilho, Ilha Solteira e Itapura. Nos últimos anos, pelo menos 31 pessoas foram ferroadas pelo animal nessa região. Na prainha de Itapura, inclusive, uma placa alerta os banhistas sobre a presença do bicho.

A colonização dos rios Paraná e Tietê pelas arraias, e também por outras espécies de animais aquáticos que não são nativos da região, apresenta ligação com as modificações ambientais feitas por obras de engenharia, como a inundação de uma imensa área no Paraná para abastecer a maior usina hidrelétrica do mundo: Itaipu. As famosas Sete-Quedas de Guaíra, que submergiram em outubro de 1982, serviam de barreira natural para arraias e outras espécies de peixes.

ALERTA
A bióloga Sandra Maria de Melo afirma que é preciso alertar para o perigo da introdução de espécies de outras localidades. “A principal forma de combater é a conscientização da população, que é o principal vetor na disseminação de espécies, principalmente para uso ornamental ou cultivo”, diz.
Pombo-comum no Centro de Araçatuba: bióloga alerta
sobre uso de produto químico para conter bioinvasão
Foto: Paulo Gonçalves/Folha da Região

De acordo com Sandra, que pesquisou o mexilhão dourado ao longo do rio Paraná, a falta de predadores naturais provoca a superpopulação das espécies exóticas. “As previsões da perda de biodiversidade para a próxima década são alarmantes, especialmente nos países com alta diversidade, como o Brasil”, explica.

Ela lembra que as medidas a serem tomadas contra o problema ainda são debatidas, mas o controle precisa ser feito de acordo com cada espécie e de cada região. “O Ministério do Meio Ambiente está trabalhando na elaboração de um documento com uma estratégia nacional para prevenção, controle, monitoramento, manejo e, se possível, erradicação dessas espécies. Mas as ações dependem de vários ministérios, de uma legislação adequada, de fiscalização e integração entre órgãos de vigilância”, completa.

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