segunda-feira, 1 de abril de 2013

Estudo aponta principais pragas em plantas ornamentais

Lagartas em plantas de pingo-de-ouro
Colaboração: Marineide Rosa Vieira
Jardins particulares, calçadas arborizadas e parques públicos são responsáveis por oferecer momentos de tranquilidade aos moradores das cidades, que cada vez mais procuram por estes espaços para fugir do estresse cotidiano. Mas o ser humano não é o único interessado nestes refúgios verdes, que costumam ser visitados por criaturas indesejáveis e que podem trazer danos à vegetação do ambiente.

Um levantamento feito pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Ilha Solteira, na região de Araçatuba, listou as pragas mais comuns em 31 espécies utilizadas como plantas ornamentais, tais como: cássia, espirradeira, falsa-murta, gardênia, hibisco, ipê, primavera, roseira, entre outras. 

Controlar uma infestação no jardim costuma ser uma tarefa difícil, especialmente pela limitação ao uso de defensivos químicos, mas há soluções que podem ser empregadas para diminuir os danos, incluindo a morte da espécie vegetal, em alguns casos. Foram registradas várias espécies de insetos e ácaros, especializados em sugar ou cortar as folhas, frutos e outros elementos das plantas. 
“Ficou muito clara a dificuldade que representa o controle de pragas nas áreas urbanas. A possibilidade de uso de inseticidas e acaricidas é muito limitada em função do risco de contaminação de pessoas e animais. Essa é uma área carente de pesquisas que possam gerar estratégias mais adequadas de controle”, afirma a professora Marineide Rosa Vieira, do Departamento de Fitossanidade, Engenharia Rural e Solos da Unesp.

Infestação de cochonilha em folhas de mini-ixora
Colaboração: Marineide Rosa Vieira
O estudo resultou no Manual Ilustrado de Pragas em Plantas Ornamentais no município de Ilha Solteira. Foram sete anos do início das avaliações até as informações serem adicionadas ao site da Unesp. As avaliações em campo foram realizadas, principalmente, durante os anos de 2006 e 2007. Depois desse período, o projeto foi paralisado em alguns momentos devido à dificuldade de organização da grande quantidade de dados produzidos, sendo concluído este ano.

“As pragas encontradas em Ilha Solteira também podem ocorrer em outros locais onde as mesmas plantas são cultivadas. A possibilidade de acesso livre, via internet, às fotos das pragas e dos danos provocados pode representar um importante apoio a todas as pessoas envolvidas com o paisagismo das cidades, como os técnicos das prefeituras e das casas de agricultura”, diz Marineide. O material pode ser conferido no site da Unesp.

COMBATE
De acordo com Marineide, algumas recomendações podem ser úteis para conter as pragas, sem que para isso sejam utilizados produtos químicos. No caso de plantas que são conduzidas com poda frequente, como ixora e mini-ixora, essa prática pode ser de grande utilidade no controle, por retirar os ramos e folhas infestados. O material cortado não deve permanecer na área, uma vez que pode ocorrer uma nova infestação, devendo ser acondicionado em saco e deixado ao sol para provocar a morte das pragas.

Adultos, ninfas e ovos de cigarrinhas em ipê-de-jardim
Colaboração: Marineide Rosa Vieira
Uma das alternativas disponíveis no mercado são os produtos derivados do nim, uma planta natural do sudeste da Ásia, bastante utilizados na agricultura orgânica. “Pulgões, ácaros, tripes, mosca-branca e larva minadora podem ser controlados com o uso de formulações à base de azadirachtina, a substância química presente em folhas e óleo de sementes de nim”, destaca a professora. 

Para o controle de cochonilhas e mosca-branca, uma possibilidade é o uso de óleos mineral ou vegetal, que apresentam baixa toxicidade. Esses produtos não devem ser aplicados nas horas mais quentes do dia porque podem provocar queimaduras nas folhas. Em áreas pequenas como jardins residenciais, lagartas podem ser coletadas manualmente e colocadas em um recipiente com sal, o que causará a morte delas.

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