segunda-feira, 22 de abril de 2013

Dia do Ribeirão Baguaçu deve ser marcado por reflexão

Soltura de alevinos marcou Dia do Baguaçu em Araçatuba
Foto: Paulo Gonçalves/Folha da Região
O Dia do Ribeirão Baguaçu, celebrado anualmente em 22 de abril, foi marcado em Araçatuba pela soltura de 4,5 mil alevinos no manancial, das espécies lambari e curimba. A comemoração ocorreu na sede da Samar (Soluções Ambientais de Araçatuba), com a presença de autoridades e 110 crianças da escola municipal Leonísia de Castro e Sesi 349.

Dar parabéns para um rio pode parecer um "programa de índio". Afinal, as águas turvas do ribeirão, responsável por abastecer 70% da cidade, passam em ritmo frenético pela área urbana de Araçatuba e nem dão uma paradinha para agradecer à homenagem. Mas a festa direcionada para o rio tem outro público na mira: as crianças.

Parece desnecessário lembrar que repousa sobre aqueles 110 meninos e meninas, e tantos outros futuros adultos da cidade, a responsabilidade de fazer a diferença. Talvez se, no passado, a comunidade tivesse festejado mais o Baguaçu, o manancial não seria hoje vítima de tantas agressões.

O ribeirão Baguaçu nasce na divisa dos municípios de Braúna com Coroados, em uma pequena mina de rochas, e deságua no rio Tietê. Até chegar a Araçatuba, o manancial percorre as cidades de Braúna, Bilac e Birigui.

Área do Peba (Parque Ecológico Baguaçu),
onde o ribeirão 'ainda respira'
Foto: Paulo Gonçalves/Folha da Região
É neste caminho que sofre vários tipos de agressão: falta de mata ciliar, despejo de esgoto sem tratamento e contaminação por produtos químicos são algumas das ameaças.

"Uma melhoria que a gente percebe é que não se vê tanta sacolinha de plástico no Baguaçu como no passado, mas a grande preocupação é quanto à mata ciliar, que falta em muitos trechos na parte urbana", explica o presidente do Clube da Árvore, Antônio Luiz Magno.

Ainda há muito para ser feito. Último IAP (Índice de Qualidade da Água para fins de Abastecimento Público), divulgado pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), mostra que o Baguaçu tem que se contentar com uma classificação apenas "regular", numa escala que varia de ruim a ótima.

Para o principal manancial que abastece a cidade, não ter a classificação "ótima" é, no mínimo, um desrespeito. O "senhor Baguaçu" pode até gostar de parabéns, mas está ansioso por uma comunidade - sociedade civil e poder público - que o abrace de verdade.

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