terça-feira, 7 de maio de 2013

Araçatubense respirou ar ruim por quase três meses

Em dias secos é possível ver nuvem
de poeira sobre Araçatuba
Foto: Paulo Gonçalves/Folha da Região
Padrão mais rígido adotado a partir deste ano pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) promete mudar de forma gradativa a maneira como os paulistas encaram a qualidade do ar.

Se o aspecto mais rigoroso da nova classificação estivesse vigorando em 2012, os araçatubenses teriam "oficialmente" respirado ar poluído por quase três meses. Em contrapartida, a classificação até então em vigor não apontou nenhum dia irregular no mesmo período.

Os padrões usados antes do decreto 59.113, publicado em 24 de março, tinham mais de 20 anos e estavam até três vezes menos rígidos do que os estabelecidos pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em 2005. Um dos exemplos é o MP10 (material particulado), cujas fontes de emissão podem ser veículos automotores, processos industriais, queima de biomassa e elevação de poeira do solo.

Conforme o decreto, as mudanças serão em etapas. Imediatamente, o limite foi reduzido de 150 para 120 microgramas por metro cúbico para o material particulado. A nova regra também prevê a meta de adotar o padrão limite de 50 microgramas por metro cúbico, mas isso ocorrerá a partir de análises da situação para que a agência defina quando entrará em vigor o valor mais rígido, sem uma previsão de prazo.

Dados da qualidade do ar coletados em Araçatuba pela Cetesb mostram que, de 313 dias monitorados no ano passado, 83 dias (26,5%) apresentaram MP10 acima de 50 microgramas por metro cúbico, sendo a máxima registrada em 19 de setembro, quando foram apontadas 142 microgramas. Apesar de ser quase três vezes mais do que o limite de poluição indicado como aceitável pela OMS, estava dentro do padrão regular de classificação paulista.

AÇÕES
Em nota, a Cetesb afirma que os novos padrões vão servir como base para políticas adicionais no controle das emissões de poluentes para que áreas degradadas sejam recuperadas e áreas preservadas não sofram degradação. "A atualização dos padrões de qualidade é uma vitória importante rumo à melhoria do ar que respiramos em São Paulo", garante a agência.

A Cetesb fará ao longo deste ano a identificação das áreas críticas e um diagnóstico destes espaços em todo o Estado, onde serão estabelecidos planos com metas de redução das emissões tanto para fonte móveis (veículos) quanto para fontes fixas (indústrias). A análise deverá resultar no Prefe (Plano de Controle de Emissões Atmosféricas). A companhia também irá publicar o inventário paulista de emissões atmosféricas, identificando os principais empreendimentos emissores de poluição do ar por regiões e por poluente.

RISCOS
De acordo com a Cetesb, quando o nível de material particulado está inadequado, pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas, idosos e crianças passam a sofrer com problemas respiratórios ou têm os sintomas agravados. Já a população em geral pode apresentar ardor nos olhos, nariz e garganta, tosse seca e cansaço. Ao meio ambiente, pode acarretar danos à vegetação e contaminação do solo e água.

A forma oficial de medição dos poluentes se mantém, por meio de estações de monitoramento da qualidade do ar espalhadas pelo Estado. Em Araçatuba, o equipamento está instalado dentro da Unesp (Universidade Estadual Paulista), no bairro Dona Amélia. Além do material particulado, a estação da Cetesb também acompanha os níveis de ozônio, monóxido, dióxido e óxidos de nitrogênio.

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