segunda-feira, 3 de junho de 2013

Bióloga pede cautela para manejo de plantas aquáticas

Retirada de algas na praia de Pereira Barreto
Foto: Divulgação
A bióloga Sandra Maria de Melo explica que é preciso ponderar os benefícios trazidos pelas plantas aquáticas antes que planos de manejo ou controle sejam implementados. "Elas colonizam praticamente todos os ambientes aquáticos continentais, onde exercem importantes funções ecológicas. Esses vegetais trazem benefícios para a regulação desses ecossistemas, participando ativamente da ciclagem de nutrientes, retenção de poluentes e estabilização das margens", comenta.

Além disso, a vegetação de rios e lagos também é apontada como sítios de abrigo, reprodução e alimentação para várias espécies de invertebrados, peixes e aves. "Por outro lado, o aguapé é considerado como uma espécie invasora em alguns locais, podendo causar desequilíbrios ecológicos por crescer em abundância, cobrindo a superfície de lagos ou outros corpos d'água", diz Sandra. Por isso, uma análise criteriosa deve ser feita antes da retirada da planta.

CICLO
Nos rios brasileiros, os aguapés podem ser encontrados durante todas as estações do ano. Essas espécies têm ciclo de vida em torno de dois meses de crescimento vegetativo e começam a se reproduzir com floração.

Sandra explica que a taxa de crescimento é diretamente proporcional à intensidade e quantidade de luz e nutrientes disponíveis. “Portanto, a sua maior densidade é registrada nas estações mais quentes do ano (primavera e verão), com diminuição na densidade no inverno”, comenta.

MÃO HUMANA
Chamadas de macrófitas aquáticas pelos pesquisadores, são vegetais terrestres que, ao longo de seu processo evolutivo, se adaptaram ao ambiente aquático. Mas Sandra diz que a ação do homem pode estimular o desenvolvimento indesejado dessa vegetação. Como exemplos, ela cita a construção de reservatórios, a manipulação dos níveis da água na natureza e o nível alto de nutrientes nos mananciais ocasionado pelos efluentes industriais e domésticos.

“Quanto ao desaparecimento dos aguapés ou mesmo redução da sua comunidade, podemos citar alguns fatores importantes, tais como: a elevada declividade das margens e sua grande profundidade, a alta velocidade de correnteza que dificulta a sua fixação e a reduzida penetração de radiação subaquática (principalmente pela alta turbidez) impedem o avanço das áreas colonizadas por essas plantas aquáticas”, lembra a bióloga.

Dentre 23 pontos de monitoramento da qualidade da água no rio Tietê, utilizados pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), Araçatuba e Pereira Barreto apresentam os dois melhores resultados no Estado, dentro do esperado pelo órgão ambiental. O trecho mais crítico do manancial, em termos de qualidade, se encontra na região metropolitana de São Paulo, conforme relatório divulgado este ano pela companhia.

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