quarta-feira, 26 de junho de 2013

Falta de aterro sanitário faz Coroados exportar lixo para Glicério

Imagem do lixão interditado de Coroados feita em 2011
Foto: Cetesb
A falta de investimentos na gestão dos resíduos colocou três municípios na região de Araçatuba em estado de alerta junto à Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). A situação mais crítica ocorre em Coroados, onde a interdição do lixão obrigou o município a exportar seu lixo para o aterro de Glicério. As prefeituras de Auriflama e Mirandópolis, por sua vez, tentam construir novos aterros para desativar os antigos, avaliados como inadequados pela agência ambiental.

O prefeito de Coroados, Hélsio Carrilho Slavez, o Tute (PT), diz que a exportação de lixo para o aterro sanitário de Glicério foi uma medida emergencial iniciada em fevereiro deste ano, depois que a Cetesb interditou o lixão do município, instalado no bairro rural Córrego do Campo, em janeiro. A companhia avaliou como inadequado o espaço no ano passado, conforme inventário estadual de resíduos sólidos divulgado anteontem. "Foi a única saída que encontramos para resolver temporariamente o problema", alega Tute.

Se antes o caminhão do lixo fazia um trajeto de quatro quilômetros para ir e voltar do lixão, agora a distância aumentou para 44 quilômetros e, consequentemente, também cresceu em dez vezes os gastos com combustível e manutenção. Segundo Tute, a medida emergencial é para não deixar sem coleta os 5.238 coroadenses, que geram 1,7 tonelada de resíduos por dia. Um veículo recolhe o lixo domiciliar, de segunda a sexta-feira, e viaja de uma a três vezes por dia para Glicério.

HERANÇA
Questionado sobre o motivo de Coroados ter chegado nesta situação, o atual prefeito culpa a gestão passada. "Tudo que tenho para fazer agora já devia ter sido feito ao longo de 2009 a 2012. Isso tudo é herança do antecessor", afirma Tute. De acordo com ele, a interdição ocorreu porque o espaço usado para disposição final do lixo nunca foi licenciado, além do fato de ter chegado ao seu limite.

Tute diz que a prefeitura, na sua gestão, já comprou um terreno na zona rural para fazer um novo aterro, cujo investimento é superior a R$ 200 mil. A estimativa é resolver o problema em 90 dias, tempo que pode se estender com base nas etapas de licenciamento ambiental. O Executivo também terá que arcar com multas na ordem de R$ 40 mil por causa do lixão, emitidas de 2009 a 2012 pela Cetesb, lembra o prefeito. Além disso, estima que mais de R$ 200 mil serão necessários para encerrar o lixão interditado.

O ex-prefeito de Coroados Nelson Gonzales Caetano (PMDB) nega que sua gestão não tenha atuado para resolver o problema do lixão. Segundo ele, houve tentativa de licenciar o espaço junto à Cetesb, mas o procedimento não avançou na agência até o final do seu mandato. Também afirma que, se a gestão de Tute comprou o terreno para o futuro aterro, foi porque ele deixou dotação no orçamento de 2013 para isso.

Assim como Tute, Caetano responsabilizou seu antecessor, o ex-prefeito Elias Ferreira, então eleito pelo PFL, devido ao uso do espaço para despejo de lixo sem autorização da Cetesb. "Quando eu assumi a prefeitura, em 2008, já se usava este espaço. As administrações anteriores começaram erradas, elas que tinham que ter feito o licenciamento da área", disse. Ferreira não foi localizado pela Folha da Região para comentar o assunto.

SOLIDARIEDADE
O prefeito de Glicério, Itamar Chiderolli (PT), disse que o acordo firmado com Coroados para uso comum do aterro sanitário foi documentado, com anuência da Cetesb. Sobre o motivo de autorizar o compartilhamento do espaço com o vizinho, o chefe do executivo classificou a ação como "solidariedade".

"Se a gente que está em condições de ajudar não fizer nada, o que seria feito neste problema?", questiona, lembrando que não há impedimento legal em seu município para receber resíduos de outras localidades, algo que já ocorre há quatro meses.

Chiderolli diz que não há vantagem econômica para Glicério, que não receberá nada por emprestar suas terras para enterrar o lixo que não é seu. Mas uma cláusula do acordo promete compensar a cidade no futuro, quando começar a operação do aterro proposto em Coroados.

"Pelo período que ele depositar o lixo aqui, por igual período a gente tem direito de depositar o lixo em Coroados", explica Chiderolli, cuja cidade tem 4.565 moradores e gera 1,3 tonelada de lixo/dia. Neste caso, o objetivo é compensar a diminuição do tempo de vida do aterro glicerense, inaugurado no final do ano passado, na estrada que dá acesso ao distrito de Juritis.

REPROVADOS
Com os seus aterros sanitários reprovados pela Cetesb no ano passado, as Prefeituras de Auriflama e Mirandópolis garantem que estão tentando colocar em funcionamento novos empreendimentos para a disposição final de resíduos. Elas receberam nota 5,5 e 4,5, respectivamente, quando deveriam ter conceito superior a 7.

Por meio de nota, a Prefeitura de Mirandópolis informa que está providenciando a compra de área para novo aterro, atendendo às exigências de responsabilidade ambiental, pois o atual já está saturado. Em reunião na agência da Cetesb em Dracena, o Executivo apresentou o decreto de criação do empreendimento, em área de 9,75 alqueires, no bairro Ribeirão Claro.

Em Auriflama, onde o atual aterro também se encontra no limite, no bairro rural Barraca, nota da Prefeitura garante que um novo empreendimento será a solução para o problema. Segundo o Executivo, as licenças ambientais já foram concedidas, mas falta posicionamento da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), pois o futuro aterro seria instalado nas proximidades do aeródromo municipal.

Um comentário: