segunda-feira, 24 de junho de 2013

Google Earth mostra a evolução do verde em Araçatuba

Imagens do Parque Ecológico Baguaçu, em 2002 (esq.) e 2013; vegetação em crescimento
Foto: Reprodução
Se um viajante espacial visitasse Araçatuba periodicamente perceberia mudanças significativas nas paisagens urbanas. É mais ou menos esta a impressão que o internauta tem ao fazer um passeio virtual pela cidade no Google Earth. Além de oferecer alguns momentos de distração, o programa revela as áreas onde o verde avançou, assim como ajuda a identificar os trechos em que a arborização ficou estagnada num intervalo superior a dez anos.

Muita coisa mudou na vegetação do Peba (Parque Ecológico Baguaçu) de 2002 a 2013. Na primeira imagem de satélite, a mata ciliar do ribeirão Baguaçu se resumia a uma fina linha, às margens da avenida Waldir Felizola de Moraes. Também era possível ver em muitos trechos o chão do parque, pois as copas das árvores ainda não estavam robustas o suficiente para encobrir o solo.

Onze anos se passaram e a impressão aérea que se tem do Peba é outra. Ficou mais difícil ver do alto as águas do ribeirão Baguaçu, pois a mata ciliar avançou em tamanho e volume. Até mesmo o córrego Machadinho, que deságua no ribeirão, sentiu a diferença. No começo da década passada, o manancial estava carente de vegetação nas duas margens, situação que se inverteu uma década depois.

REGENERAÇÃO
O ecólogo Onédio Garcia da Silveira Júnior, coordenador do Peba, explica que o grande sucesso na regeneração do parque teve muito a ver com a intervenção humana em 1988, quando o espaço foi fundado. Desta data em diante, foram realizados plantios de árvores, ao mesmo tempo em que eram controladas as pragas e também as gramíneas invasoras, como o capim-colonião.

Também foram adotados outros cuidados, como combate ao fogo e o cercamento da área para evitar a presença de animais domésticos, incluindo cavalos e vacas, que podem ser muito prejudiciais para o ambiente nos primeiros estágios de recuperação. O restante ficou a cargo da própria ‘força da natureza’, em um processo conhecido como sucessão ecológica.

“Isto fica muito evidente quando se faz a comparação entre as fotos áreas de 2002 e 2013, pois a incrível recuperação ocorrida nestes 11 anos só foi possível graças aos cuidados no início da reconstrução da floresta, pois foi isto que possibilitou que houvesse uma estabilização mais rápida dos processos naturais favorecendo o equilíbrio ecológico do ambiente”, acrescenta Silveira Júnior.

CLAREIRA
Enquanto o Peba pode ser considerado um ‘paciente’ recuperado, ainda é ‘grave’ o estado de um fragmento de Mata Atlântica na divisa entre Araçatuba e Birigui. Conhecido como a mata do antigo Country Clube, o remanescente apresenta grandes clareiras em duas imagens disponibilizadas pela ferramenta do Google, dos anos de 2011 e 2013.

Essa mata possui em torno de 6,5 quilômetros de extensão, com acesso pela avenida Odorindo Perenha. Ela está situada entre os bairros Hilda Mandarino e a zona rural. Nos últimos anos, o local tem sido frequentemente alvo de queimadas clandestinas, causando a morte de espécies e a perda da biodiversidade.

O poder público de Araçatuba e Birigui, juntamente com os proprietários das terras que abrigam a mata, discutem a possibilidade de transformar o espaço em uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural), que é uma unidade de conservação ambiental criada em área particular por ato voluntário do proprietário. O dono do imóvel não perde os direitos da propriedade e a gestão da área, ficando responsável pelo manejo e proteção da reserva.

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