segunda-feira, 3 de junho de 2013

Multiplicação de aguapés prejudica lazer na prainha de Araçatuba

Júlia, 5 anos, visitou a prainha com a família, mas
não entrou na água por causa dos aguapés
Foto: Paulo Gonçalves/Folha da Região
Usuários da prainha municipal de Araçatuba reclamam da presença de aguapés no local. As plantas tomaram a área destinada aos banhistas e pescadores, prejudicando o lazer. Três moradores de Jundiaí, a 490 quilômetros de Araçatuba, foram passear na prainha e ficaram surpresos com a quantidade de plantas aquáticas às margens do balneário.

A situação frustrou os planos da pequena Júlia Martins, de 5 anos, que não pôde nadar. “Fiquei decepcionada, pois quando estivemos aqui há dois anos, a prainha não estava desse jeito”, disse a avó da menina, a aposentada Lucila Martins.

A situação deixou constrangido o aposentado Décio Campos Paros, cunhado de Lucila e morador de Araçatuba. “Eu fiquei muito triste, pois os parentes vieram com expectativa de visitar a prainha. A vontade da menininha era nadar”, conta. O jeito encontrado pela família foi passear pela grama, registrando o ambiente com fotos.

Entrar na água, inclusive, não é recomendado pelos pescadores que frequentam o local. Segundo eles, os aguapés podem ser abrigo de cobras de espécies venenosas. “Quando a margem da prainha está com aguapé, diminui bastante o número de frequentadores. Eu não me arrisco a ficar no meio das plantas e fico fora da água”, afirma o segurança Carlos Alberto Silva, que costuma pescar na região.

BERÇÁRIO
O pescador profissional Cléber Godói também alerta para o risco de acidentes com cobras, mas não vê a planta como um problema. “O aguapé é praticamente um berçário de peixes e camarões. Com o tempo, o rio abaixa, a planta seca e acaba desaparecendo sozinha”, conta, lembrando que a presença é maior nos meses de abril e maio.

A faixa de aguapés representa um contraste estético. Se por um lado confere um aspecto de abandono à prainha, por outro mostra exuberância por meio de suas flores. Verdadeiras ilhas verdes cortam o rio e seguem o curso das águas, dividindo espaço entre garças, barcos de pesca e barcaças da hidrovia.

FILTRO
A bióloga Sandra Maria de Melo, que pesquisa o assunto com alunos da Unip (Universidade Paulista) de Araçatuba, explica que os estudos conduzidos constataram que nas margens do rio Tietê proliferaram duas espécies de aguapés: a Eichhornia crassipes, flutuante e com flores roxas e a Eichhornia azurea, enraizada no sedimento e com folhas flutuantes. A equipe está preparando um estudo para publicação de artigos científicos.

A pesquisadora diz que, por funcionar como um filtro biológico, o aguapé passou a ser pesquisado e utilizado em projetos de tratamento de rios e esgotos, pois suas raízes retêm as impurezas contidas na água e estas, quando se decompõem pela ação de micro-organismos, vão servir de nutrientes para a planta.

A espécie dominante nas margens do rio Tietê, a Eichhornia crassipes, é tolerante a flutuações extremas nos níveis de água, na disponibilidade de nutrientes e presença de substâncias tóxicas, sendo capaz de absorver metais pesados, auxiliando a despoluição do corpo hídrico. “Porém, quando em grande biomassa, pode constituir um problema de saúde pública, se houver decomposição em um manancial que sirva para o abastecimento humano”, explica Sandra.

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