terça-feira, 11 de junho de 2013

Região de Araçatuba interrompe desmate da Mata Atlântica

A nova edição da pesquisa não registrou
desmatamento do bioma na região
Foto: Paulo Gonçalves/Folha da Região 
Os 43 municípios que formam a região administrativa de Araçatuba não desmataram nenhum hectare da mata atlântica no período de 2011 a 2012, revela um estudo divulgado este mês. Com o resultado, a localidade interrompe um ciclo de perdas neste bioma, comparando com as duas edições anteriores do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, publicado pela Fundação SOS Mata Atlântica e o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

As perdas mais recentes ocorreram de 2010 a 2011, quando 37 hectares do bioma desapareceram da região. Neste período, os municípios líderes regionais em desflorestamento foram Rubiácea (26 hectares), Penápolis (6) e Lavínia (5). Antes disso, o atlas registrou perda de dez hectares, de 2008 a 2010. Deste total, seis hectares foram devastados em Ilha Solteira e quatro em Avanhandava.

Apesar de a nova edição da pesquisa não ter registrado desmatamento do bioma na região, os números mostram que a situação da mata atlântica é preocupante. Dos 1.856.538 de hectares que o bioma ocupou no passado, restaram apenas 5,1%, ou 95.517 hectares. Os ciclos econômicos do café, pecuária e cana-de-açúcar são apontados para explicar o cenário atual.

REMANESCENTES
Os números dos remanescentes são um pouco diferentes da edição passada, quando o atlas indicou a existência de 78.362 hectares do bioma na região. O motivo é que a nova edição incluiu classes que serão monitoradas, tais como campos de altitude naturais, refúgios vegetacionais e áreas de várzea, que são formações essenciais para manutenção do ambiente natural e biodiversidade em suas áreas de ocorrência.

Em números absolutos, Castilho tem mais remanescente, com vegetação distribuída por 12.273 hectares, enquanto Araçatuba aparece com 3.189 hectares. Bilac tem a menor área do bioma, 321 hectares no total. Nas edições de 2005/2008 e 2000/2005, o atlas identificou os remanescentes florestais por município, sem referência a perdas e ganhos por cidade.


Para o secretário estadual de Meio Ambiente de São Paulo, Bruno Covas, o desmatamento predatório e ilegal no Estado já pode ser considerado coisa do passado. "Além das ações de fiscalização a campo, investimos em um novo sistema por satélites que emite um alerta em caso de desmatamento", explica. Conforme ele, o compromisso do governo paulista é plantar 400 milhões de mudas até 2020, aumentando de 17,5%, para 20% o índice de cobertura vegetal.

MONITORAMENTO
Para o diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, o levantamento é importante para monitorar os impactos das mudanças decorrentes das alterações no Código Florestal, aprovadas há um ano. "É fundamental que os cidadãos acompanhem os dados sobre seus municípios e cobrem os governantes locais para que elaborem os Planos Municipais da Mata Atlântica", afirma.

Se na região as imagens de satélite utilizadas no atlas não registraram perdas da mata, a situação é bem diferente no restante do País. O estudo aponta total de supressão de vegetação nativa de 23.548 hectares no período de 2011 a 2012. No período 2008 a 2010, foram 15.183 hectares desmatados e, de 2010 a 2011, ficou em 14.090 hectares. Minas Gerais é o Estado que lidera o ranking de perda da floresta.

Assim como a região, o Estado de São Paulo também apresentou redução na perda de mata, queda de 7% no desmatamento entre 2011 e 2012. A coordenadora do atlas, Márcia Hirota, pondera que isso aconteceu em parte porque já não há muito mais o que derrubar no Estado. "O que resta, em especial na Serra do Mar, está em locais de relevo acidentado", afirma.

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