quarta-feira, 17 de julho de 2013

Crocodilo pré-histórico da região de Araçatuba é identificado

Recriação artística de como era o 'scabrosus' (em laranja)
Ilustração: Rodolfo Nogueira Ribeiro
Um crânio de aproximadamente 80 milhões de anos, parcialmente completo e muito bem preservado, ajudou a identificar mais um crocodilo pré-histórico extinto na região de Araçatuba. Chamado pelos cientistas de Gondwanasuchus scabrosus, a criatura foi descrita no mês passado em uma revista científica internacional.

Os restos da espécie de crocodiliforme (grupo de répteis em que estão inclusos os crocodilos, jacarés e seus parentes pré-históricos extintos) foram retirados de um sítio paleontológico da fazenda Buriti, no município de General Salgado, a 75 quilômetros de Araçatuba. O estudo foi conduzido por um grupo de pesquisadores das universidades federais do Rio de Janeiro e do Triângulo Mineiro.

De acordo com o artigo, publicado na versão on-line da revista Cretaceous Research, o Gondwanasuchus scabrosus foi um carnívoro terrestre de porte médio, com o crânio bastante comprimido lateralmente e uma dentição única, o que pode ter garantido ao animal maior resistência a quebras durante a alimentação e os ataques.

Este é o quarto crocodiliforme descoberto em General Salgado, sendo o último fóssil coletado na região, ainda na década passada, e que estava sem identificação. Antes do Gondwanasuchus, foram encontradas duas espécies do Baurussuchus salgadoensis e uma do Armadillosuchus Arrudai.

Crânio de 80 milhões de anos escavado em General Salgado
Foto: Divulgação
O biólogo Thiago da Silva Marinho, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro e um dos autores do estudo, explica que os dinossauros carnívoros eram escassos na região, fato que pode ter contribuído para a proliferação desses crocodiliformes terrestres. Ele destaca que essa espécie de crocodilo é bastante interessante por ser o mais distinto da família.

Segundo o pesquisador, com 1,30 metro de comprimento e 40 centímetros de altura, o Gondwanasuchus se diferencia das outras espécies de sua família também por possuir uma visão binocular, ou seja, poderia enxergar tridimensionalmente. "Sua visão é semelhante à deduzida para o Tyrannosaurus rex, um dos maiores predadores de que já se ouviu falar", diz.

A identificação dessa nova espécie contribui para a compreensão da diversidade ecológica e morfológica dos crocodiliformes na América do Sul no contexto da Gondwana, o supercontinente formado há cerca de 200 milhões de anos e que agrupava a América do Sul, África, Madagascar, Índia, Oceania e a Antártida no período Cretáceo, que vai de 145 a 65 milhões de anos atrás.

‘TINHOSO’
O nome genérico Gondwanasuchus faz alusão à distribuição da família dos Baurussuquídeos, restrita às regiões do antigo supercontinente Gondwana, enquanto suchus significa crocodilo. Sobre o termo scabrosus, Marinho explica que é uma palavra em latim que significa tinhoso.

Pela ilustração de como seria o animal, é fácil entender o motivo de os autores que descreveram a espécie terem descrito o bicho como tinhoso: a observação do crânio do animal lhe dá uma aparência agressiva. A recriação de como seria o bicho e a paisagem de sua época foi do paleontólogo e artista Rodolfo Nogueira Ribeiro.

TEORIA
Diversas teorias tentam explicar a extinção de espécies que viveram no tempo dos dinossauros. A mais famosa de todas é a de que um grande asteroide tenha caído na Terra e levantado poeira suficiente na atmosfera para impedir que a luz do Sol alcançasse a superfície, há 65 milhões de anos.

Muitas espécies vegetais que necessitam fazer fotossíntese para viver teriam morrido e, por fim, os dinossauros herbívoros. Sem os dinossauros herbívoros para comer, os carnívoros teriam morrido consequentemente de fome.

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