segunda-feira, 29 de julho de 2013

Inaugurado há dois anos, centro de animais ainda não funciona

Dois momentos do Ceretas: à esq., inauguração com autoridades; ao lado, obra atual que nunca atendeu um único bicho
Fotos: Folha da Região
O que deveria ser a solução para atender animais silvestres na região de Araçatuba se transformou em um projeto com futuro incerto. O Ceretas (Centro de Recuperação e Triagem de Animais Silvestres) foi inaugurado há mais de dois anos, mas ainda não entrou em funcionamento. O motivo é a falta de equipamentos, orçados em R$ 477 mil.

O projeto foi erguido dentro da FMVA (Faculdade de Medicina Veterinária) da Unesp (Universidade Estadual Paulista), no bairro Dona Amélia, em Araçatuba. O espaço tem 695 metros de área construída, sendo dois prédios, um do hospital e da parte administrativa e o outro dos recintos. A obra foi concluída com recursos de 19 usinas de açúcar, etanol e bioeletricidade, que juntas desembolsaram R$ 800 mil.

Mesmo sem equipamentos, funcionários e rede de esgoto, o Ceretas foi inaugurado durante solenidade, em junho de 2011, com direito a palanque de autoridades e pose para fotografias em torno da fita vermelha. Na ocasião, uma representante do secretário paulista de Meio Ambiente, Bruno Covas, chegou a alertar que o projeto não poderia virar "um elefante branco".

PROMESSA
A promessa da coordenadora de Biodiversidade e Recursos Naturais da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Helena de Queiroz Carrascosa Von Glehn, foi que o Governo do Estado iria apoiar as próximas etapas para a instalação dos equipamentos que faltam e para a manutenção do espaço. "Não há uma previsão de quando, mas há todo um empenho da secretaria", disse, na época, sem mencionar valores.

Em nota enviada este mês à <b>Folha da Região</b>, a secretaria informou que o Ceretas passou a ser responsabilidade da pasta depois de setembro de 2012, conforme acordo de cooperação entre o Estado de São Paulo e a União. "Ciente da importância desse projeto, a secretaria vem estudando possibilidades de auxílio ao Ceretas, para conclusão de sua instalação e início das operações", informa, sem dar detalhes.

O convênio de aprovação do Ceretas foi assinado em fevereiro de 2008. A meta é que o centro seja referência para o tratamento de animais silvestres acidentados ou capturados, com previsão de atender até 500 bichos por ano. Além disso, deve abrigar um inédito banco genético para contribuir com a preservação da fauna paulista.

EQUIPAMENTOS
Sobre a falta de equipamentos, como raio X, ultrassom e outros itens para o centro cirúrgico, a direção da FMVA informa, em nota, que está empenhada na busca de alternativas que possibilitem o início das atividades. Como exemplo, cita que obteve R$ 85 mil da reitoria da universidade para aquisição de equipamentos ambulatoriais básicos.

A FMVA lembra que, até o momento, não há nada conclusivo em relação aos equipamentos e recursos de custeio para o Ceretas. "É nosso objetivo colocá-lo em funcionamento o mais breve possível", destaca. A faculdade esclarece que o problema da falta de rede de esgoto foi resolvido, pois as instalações foram custeadas com recursos da usina Santa Adélia.

USINA
O presidente da Udop (União dos Produtores de Bioenergia), Celso Junqueira Franco, afirma que a entrega das obras do Ceretas foi o único compromisso estabelecido pelas usinas parceiras, sendo plenamente cumprido. "As usinas parceiras continuam acreditando nos benefícios que o projeto trará para a fauna da região Oeste Paulista, e torcem para que as fases burocráticas sejam vencidas e o Centro possa ser efetivamente inaugurado", afirma.

Sobre a possibilidade de os parceiros desembolsarem mais recursos para custear os equipamentos, Franco explica que o setor da bioenergia enfrenta uma de suas piores crises, com endividamento das usinas e baixa remuneração. "Sendo assim, quase a totalidade das usinas brasileiras enfrenta problemas de caixa atualmente, o que já descartaria qualquer participação do setor nas demais fases do projeto", diz.

O 1° Pelotão da Polícia Ambiental de Araçatuba, que atende 26 municípios regionais, recebeu 323 animais silvestres de janeiro até a semana passada, provenientes de crimes ambientais e entregas voluntárias. A maioria é ave, incluindo canário, coleirinho, papa-capim, maritaca e papagaio. A estimativa é que em torno de 10% dos bichos precisam de algum cuidado veterinário antes de voltar à natureza.

Sem um espaço em Araçatuba para recuperar os animais silvestres, o capitão Mozar Messias de Souza Filho, da Polícia Ambiental, explica que a corporação recorre a centros de tratamento, faculdades e zoológicos de outros municípios para o socorro, como Andradina, Ilha Solteira, São José do Rio Preto e Botucatu, por exemplo.

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