quinta-feira, 11 de julho de 2013

Objetos milenares são achados na região de Araçatuba

Identificação de vestígio lítico em sítio arqueológico próximo
ao rio Tietê, na região da usina de Nova Avanhandava
Foto: Divulgação
As terras que servem para a geração de energia elétrica na região também ajudam a resgatar como viveram as comunidades antes da chegada do homem branco. Pesquisas realizadas desde 2007 pela empresa AES Tietê nos municípios de entorno das usinas hidrelétricas de Nova Avanhandava, em Buritama, e de Promissão encontraram 38 sítios arqueológicos.

No reservatório de Promissão, foi achada uma ponta de projétil feito de sílex, uma rocha dura. A análise dos pesquisadores indicou que este artefato pode ter sido usado tanto para a caça quanto para defesa das tribos. O material foi retirado de um sítio arqueológico que pode ter até dez mil anos. Também neste reservatório, foi encontrada uma ponta de lança feita em quartzo.

No geral, os sítios arqueológicos localizados às margens do Tietê forneceram material em pedra lascada e fragmentos de vasilhas cerâmicas. Os sítios arqueológicos mais próximos da cidade de Araçatuba, encontrados pela AES Tietê, estão nas cidades de Brejo Alegre, Buritama, Glicério e Promissão.

O programa já identificou 122 sítios arqueológicos em território paulista, às margens de reservatórios na bacia do rio Tietê, que engloba cidades da região, e nas bacias dos rios Grande e Pardo. Conforme a AES Tietê, essas descobertas reforçam a existência de ocupações indígenas e históricas de grande importância.

As pesquisas se estendem para outros municípios paulistas, como em Ouroeste, às margens do rio Grande, na região de São José do Rio Preto, onde foram achados vestígios orgânicos, cerâmicos, restos de moluscos e também uma ossada humana de indígena.

RISCO
Todo o material recolhido nas pesquisas foi encaminhado para a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), onde está armazenado. A gerente de Meio Ambiente da AES Tietê, Sonia Hermsdorff, diz que o objetivo do projeto não é explorar o local, mas, sim, identificar e preservar a riqueza existente. “As peças que guardamos são aquelas que estavam em risco e poderiam sofrer com intervenções humanas, chegando até a desaparecer”, afirma.

Ponta de projétil de quartzo encontrada na região
de Nova Avanhandava, usina instalada em Buritama
Foto: Divulgação
Sonia explica que o projeto vai disponibilizar para as comunidades um maior conhecimento dos costumes e tradições locais. “Saber a origem das cidades e os povos que viviam ali ajuda a entender o modo de vida da região”, diz. A empresa informa que faz o monitoramento arqueológico todos os anos, com a previsão de iniciar uma nova etapa até o final de 2013.

A expectativa é que novos sítios arqueológicos possam ser identificados ao longo dos monitoramentos. Mais de 20 profissionais estão envolvidos no projeto, incluindo historiadores, arqueólogos, geógrafos, técnicos em arqueologia, auxiliares de campo e equipe de apoio.

CERAMISTAS
Monitoramento arqueológico nas bordas do rio Tietê
Foto: Divulgação
As evidências deixadas por povos indígenas no Baixo Tietê ajudam pesquisadores a imaginar como era a vida destas comunidades de agricultores ceramistas, que viveram antes mesmo do continente americano ser colonizado pelos europeus. Até agora, os estudos sugerem que eles moravam em aldeias, com três ou quatro grandes moradias, onde exerciam e praticavam todas as atividades.

O arqueólogo José Luiz de Morais, professor titular do MAE/USP (Museu de Arqueologia e Etnologia), explica que a maior parte dos achados na região de Araçatuba se restringe a objetos de cerâmica e materiais como pedra lascada e polida, que no passado serviam como artefatos para diversas atividades do cotidiano. “Em função da qualidade dos nossos solos tropicais, pouco se preserva em termos de amostras e materiais biológicos. Então, ossos são de muito difícil conservação”, afirma Morais.

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