sexta-feira, 12 de julho de 2013

Tensão em alta na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa

Destruição causada pelo garimpo Cruzado, dentro
do parque nacional Montanhas do Tumucumaque
Foto: Divulgação
A falta de sintonia política entre Brasil e França está ampliando impactos socioambientais na fronteira entre os dois países. Há um ano, militares franceses foram mortos a tiros por uma quadrilha envolvida no garimpo ilegal de ouro. É o que denuncia carta assinada por parlamentares e organizações não governamentais europeias, publicada recentemente no jornal Le Monde e em agências francesas de notícias.

Os militares mortos em 26 de junho de 2012, um cabo de 32 anos e um ajudante de 29 anos, integravam a operação Harpia contra o garimpo clandestino regional. Dois outros policiais, também franceses, ficaram feridos.

Em abril daquele ano, cerca de cem garimpeiros brasileiros foram presos na Guiana Francesa. Em 2010, outros 1,5 mil estrangeiros em situação irregular haviam sido presos. A corrida do ouro ganhou força com a alta do preço do minério no mercado internacional após a crise financeira de 2008 e aumento da demanda por joias em países emergentes como a Índia.

Para produzir um quilo de ouro, os garimpeiros clandestinos chegam a usar um quilo de mercúrio. A Rede WWF estima que 30 toneladas de mercúrio sejam descartadas no ambiente natural das Guianas a cada ano, inclusive dentro de áreas protegidas e terras indígenas.

Na região alta do rio Maroni, um terço dos habitantes de comunidades locais sofre com a contaminação por mercúrio, apresentando níveis de contaminação acima dos limites estipulados pela Organização Mundial da Saúde. Até 15 milhões de pessoas estariam contaminadas pelo metal na América do Sul, África e Ásia.

OMISSÃO
Um acordo bilateral específico entre França e Brasil dedicado a ampliar os esforços conjuntos contra a exploração ilegal de ouro foi assinado em 2008 pelos então presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy, no lançamento da obra de uma ponte unindo os dois países sobre o rio Oiapoque, até hoje não foi ratificado pelo Congresso Brasileiro.

"Um ano depois da declaração da ‘guerra do ouro’, os signatários desta carta aberta lamentam amargamente a ausência total de avanços para solução desta situação, apesar de perfeitamente conhecida", alerta a carta assinada por parlamentares.

O documento também cita que, frente a tal escândalo socioambiental, a prevista inauguração da ponte sobre o rio Oiapoque, que deveria reunir fraternalmente as suas margens franceses e brasileiros, poderá reacender tensões já bastante fortes. Com informações do WWF Brasil

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