segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O que fazer com o corpo do animal de estimação após a morte?

Dionice deixou 'Pituxo' (porta-retrato) na clínica onde era
tratado, mas preferia a cremação
Fotos: Paulo Gonçalves/Folha da Região
Sem um crematório ou cemitério para acomodar cadáveres de animais domésticos em Araçatuba, cerca de 150 cães e gatos, em média, são encaminhados por mês ao aterro sanitário. Para quem considera a mascote como um amigo ou membro da família, esta disposição final causa indignação, mas é uma alternativa para evitar o descarte inadequado dos corpos. No entanto, muitos ignoram o serviço gratuito de recolhimento e jogam o animal morto em espaços públicos.

Em Araçatuba, o recolhimento de cães e gatos mortos é feito pelo CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), diretamente com o proprietário ou em clínicas veterinárias particulares. Foram 900 corpos recebidos no primeiro semestre deste ano, que incluem os provenientes de chamados da população, das clínicas e aqueles que sofreram eutanásia por causa da leishmaniose visceral. O destino dos cadáveres é o mesmo: valas no aterro sanitário.

A jornalista Maria Salomé Rodrigues Macedo, 54 anos, perdeu dois cães de estimação no início do ano: o akita Forrester, em janeiro, e a labradora Gaia, em fevereiro. As mortes foram decorrentes de problemas neurológicos e hemorragia interna, respectivamente. Os corpos foram entregues para a clínica onde sempre foram tratados.

Salomé lamenta o fato de Araçatuba não ter um crematório ou cemitério para bichos. “Se eu tivesse escolha, certamente Gaia e Forrester estariam num jazigo, junto a outros animais que já perdi, ou as cinzas estariam comigo. Sem dúvida, a perda doeria um pouco menos”, afirma.

Para a manicure Dionice Braz Gomes, 43 anos, proprietária do poodle Pituxo, que morreu no mês passado aos 17 anos, por complicações naturais da idade, é necessário instalar um crematório para bichos em Araçatuba. No caso do cachorro dela, a única saída foi entregá-lo para uma clínica. “Foi doído deixar ele lá e ficar na dúvida para onde ele iria. Ele nunca foi arteiro, parece até que me entendia”, diz.

QUINTAL
Considerando os 35,5 mil cães e gatos registrados no último censo canino de Araçatuba, além dos proprietários que adotam a prática de enterrar o corpo da mascote no quintal, a quantidade de animais que morrem pode ser ainda maior do que as estatísticas. “O ideal é entrar em contato com o CCZ para o recolhimento, mas sabemos que, devido a algumas situações inesperadas, o morador acaba enterrando no próprio quintal”, diz a chefe de serviço de administração do CCZ, Edna Vargas da Silva.

Uma pesquisa da Universidade de São Paulo de 2008 revelou que 60% dos animais mortos são enterrados pelos donos no Estado. Os corpos em decomposição produzem necrochorume, líquido de cor acinzentada, odor forte e desagradável, que contém as substâncias orgânicas tóxicas “putrescina” e “cadaverina”. Quando são enterrados ou dispostos a céu aberto sem qualquer critério, os poluentes podem contaminar a água subterrânea.

“Os corpos de animais podem conter contaminantes nocivos ao meio ambiente, à saúde humana e animal, como, por exemplo, microrganismos e vestígios de medicamentos”, explica a veterinária Tatiana Pelucio, chefe da assessoria técnica do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo.

INFRAÇÃO
O descarte de animais em terrenos baldios ou áreas verdes pode ser enquadrado como infração sanitária ou ambiental, mas a Prefeitura de Araçatuba não registrou nenhuma autuação desse tipo este ano e alega ser difícil flagrar quem pratica a ação. Porém, o mau cheiro pode ser percebido a grandes distâncias.

Na frente do antigo Araçatuba Country Clube, no bairro Country Ville, a reportagem encontrou um cachorro em estado de putrefação, dentro de um saco de lixo, e a pelagem de outro cão, em estado avançado de decomposição. Situação parecida é observada no final da rua dos Fundadores, entre o Água Branca e o Araçatuba G, onde um filhote foi descartado dentro de um saco plástico.
Reportagem flagrou cães mortos dentro de sacos a céu aberto
“No descarte a céu aberto, os microrganismos são fontes contaminantes para pessoas e animais, como pássaros, roedores e até mesmo insetos, que podem inclusive servir de vetores, carreando e disseminando doenças”, alerta Tatiana.

O recolhimento de cães e gatos mortos pode ser solicitado ao CCZ de Araçatuba pelo telefone 0800-7700525. O serviço é gratuito e só atende moradores do município. Caso more em outra cidade, procure informações sobre o assunto no CCZ local, na Vigilância Sanitária ou na secretaria de Obras.

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