quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Caçador envenena abutres para esconder caça ilegal na África

Abutre-de-rüpel teve redução de 85% em três décadas
Foto:  André Botha/IUCN
A recente morte de 600 abutres depois que as aves comeram uma carcaça envenenada perto do Parque Nacional da Namíbia confirma que o uso indiscriminado de veneno é uma das principais causas do declínio contínuo de populações desta espécie na maior parte da África.

O problema é mais evidente na África Ocidental, onde uma queda média de 42% no número de abutres foi registrada ao longo dos últimos 30 anos. A espécie conhecida como abutre-de-rüpel (Gyps rueppellii) chegou a ter redução de até 85% na quantidade de seus indivíduos.

A prática nesta região do planeta é comum: caçadores criminosos matam elefantes e outros grandes mamíferos e despejam, intencionalmente, veneno nas carcaças para matar os abutres. O motivo é que as aves são muitas vezes utilizadas por agentes da lei em partes da África como uma indicação de atividade de caça e, consequentemente, para chegar até os criminosos.

ABSURDO
"Ao envenenar as carcaças, os caçadores esperam erradicar os abutres de uma área em que atuam e, assim, escapar da polícia", diz Leo Niskanen, coordenador técnico de áreas de conservação da IUCN (União Internacional para a Conservação das Espécies da Natureza).

"O fato de que incidentes como estes podem estar ligados à caça desenfreada de elefantes na África é uma preocupação séria. Incidentes semelhantes foram registrados na Tanzânia, Moçambique, Zimbabwe, Botswana e Zâmbia nos últimos anos", revela Niskanen.

O uso de veneno também afeta negativamente outras grandes aves de rapina, como a águia-rapace (Aquila rapax) e a águia-sem-rabo (Terathopius ecaudatus), bem como leões, hienas e chacais.

DESEQUILÍBRIO
Os especialistas da IUCN dizem que as populações de abutres da África não podem aguentar mais perdas e o declínio atual pode ter sérias consequências para a saúde ecológica e humana a longo prazo. A queda vertiginosa em três espécies de abutres na Índia, ao longo dos últimos 20 anos, tem causado vários problemas, como maior quantidade de carcaças de animais.

"A proliferação de cães selvagens e um aumento substancial de doenças como a raiva têm sido documentados e podem estar ligados diretamente a esse declínio", alerta a IUCN.

Muitos países na África não dispõem de legislação adequada e outras medidas para controlar ou evitar o uso indiscriminado de venenos. "Acreditamos que crimes desta natureza devem ter a mesma prioridade e ser objeto de sanções semelhantes às atribuídas a casos de caça ilegal", diz André Botha, da comissão de sobrevivência de espécies da IUCN.

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