segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Estudo com macaco-prego rende prêmio à Unesp de Araçatuba

Macacos-pregos se divertem em hidrante da Unesp:
Inteligência do animal foi importante no estudo
Fotos: Valdivo Pereira/Folha da Região
Trabalho sobre a distribuição de proteínas em algumas regiões específicas do cérebro rendeu este mês o primeiro lugar à FOA/Unesp (Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual Paulista) de Araçatuba no prêmio Jovem Neurocientista. A pesquisa, reconhecida durante a reunião anual da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento, foi feita com o auxílio do macaco-prego.

O estudo "Distribuição das proteínas ligantes de cálcio no córtex pré-frontal do macaco-prego" foi apresentado pelo aluno de iniciação científica Gestter Willian Lattari Tessarin, do último ano da faculdade de Odontologia. A orientação é do professor Roelf Justino Cruz Rizzolo, coordenador do laboratório de neurociências do departamento de ciências básicas.

Rizzolo explica que o objetivo do estudo foi analisar a distribuição de determinadas proteínas em algumas regiões específicas do cérebro. "Estas proteínas são importantes para o correto funcionamento cerebral e parece que sua distribuição está alterada em doenças como esquizofrenia, autismo e outros déficits cognitivos", diz o pesquisador.

JUSTIFICATIVA
O uso do macaco-prego na pesquisa foi justificado pelo fato de o primata ter um cérebro considerado "muito interessante", além de uma inteligência bastante desenvolvida. "Isto nos permite ter uma ideia mais aproximada em relação ao que poderia estar acontecendo com os primatas humanos", explica Rizzolo.

O grupo da Unesp estuda há vários anos o córtex pré-frontal de primatas, região do cérebro parcialmente responsável por funções cognitivas como a memória de curta duração, a avaliação de risco, planejamento, análise, o processo de tomada de decisão, avaliação e a programação temporal de nosso comportamento.

Gestter (esq.); Roelf; Isabela e Laís no laboratório de neurociência
"Ou seja, é uma estrutura que nos torna muito humanos. Temos que entender muito bem como ela funciona para depois entender o que acontece quando para de funcionar corretamente", explica Rizzolo. Conforme o pesquisador, os estudos na área estão permitindo mostrar "ao vivo e a cores" como diferentes áreas cerebrais se comportam durante determinadas tarefas ou em determinadas doenças.

"Se a distribuição das proteínas que estamos estudando bate com uma área cerebral que se encontra mais ativada durante uma dessas tarefas, teríamos uma correlação química de uma observação funcional", completa. A pesquisa foi inteiramente desenvolvida no laboratório de neurociências, com financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

COAUTORES
Além dos dois pesquisadores, são coautores do projeto Miguel Xavier de Lima, atualmente doutorando no ICB/USP (Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de São Paulo), as alunas de iniciação científica Laís Limieri e Isabela Rogério de Paiva, ambas da FOA, Luciana Pinato, docente do campus da Unesp de Marília, e Renata Frazão e Maria Inês Nogueira, docentes do ICB-USP.

Suporte à pesquisa premiada também foi dado pelo Núcleo de Procriação de Macacos-Prego, na FOA, responsável por fornecer bases para estudos científicos dentro e fora do Brasil. O projeto foi criado em 1972 pelo cirurgião-dentista José Américo de Oliveira.

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