quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Adolescentes de Araçatuba viram pesquisadores ambientais

Alunos da rede pública de ensino pesquisam alguns desafios
relacionadas à água, como bioinvasão, desperdício e energia
Foto: Paulo Gonçalves/Folha da Região
Três adolescentes da rede estadual de ensino de Araçatuba desenvolvem pesquisas científicas na área de meio ambiente e sustentabilidade. Os alunos estudam na escola estadual professora Maria Apparecida Balthazar Poço, no bairro Monte Carlo, e estão concorrendo a um prêmio nacional que reconhece talentos em iniciação científica. Além disso, os pesquisadores apresentam nesta quarta-feira (23) o resultado de um estudo em congresso científico regional.

Os alunos Fabrício dos Santos de Atoguia, 18 anos, Hemerson Luís dos Santos, 17, e Guilherme Baldesera Barizão, 14, são responsáveis por pesquisas sobre a invasão de espécie exótica no rio Tietê, desperdício de água tratada e o uso do gás metano como fonte alternativa de energia. Os estudos começaram em abril, depois que um dos jovens ficou sabendo do prêmio Jovem Cientista, do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

"Eu vi a propaganda do prêmio e procurei a professora para que nós pudéssemos participar", conta Guilherme. Dessa data em diante, a rotina do trio de amigos mudou. Além do horário comum das aulas, no período da manhã, eles passaram mais tempo na escola, algumas vezes até no período noturno, desenvolvendo as pesquisas. Em comum, os trabalhos abordam o tema geral do prêmio - Água: Desafios da Sociedade.

ARTIGOS
Fabrício assina o artigo "Molusco asiático invade o rio Tietê", em que descreve como o mexilhão-dourado está cada vez mais presente no estado de São Paulo e traz prejuízos econômicos e ambientais. "A facilidade de reprodução e a forma como ele invadiu os rios brasileiros é que o mais chama a atenção no trabalho", comenta o aluno, que pretende fazer faculdade de tecnologia em biocombustíveis.

Hemerson escolheu um assunto que está presente no cotidiano da zona urbana. "Desperdício de água tratada por vazamento de tubulação em Araçatuba" é o tema do estudo, que teve reportagens publicadas na Folha da Região como parte das fontes da pesquisa. O aluno, que pretende ser policial, comenta que o problema acontece por causa das redes antigas e o estado precário dos materiais.

Guilherme descreve em sua pesquisa como a captação de metano pode ser usada como fonte de energia em reservatórios de hidrelétricas. Ele diz que foi um desafio elaborar o estudo. "O trabalho científico te cobra mais informações, dados e fontes variadas e confiáveis para a pesquisa", comenta, dizendo que pretende ser jornalista no futuro.

A divulgação dos resultados do prêmio Jovem Cientista ocorrerá em novembro. Os vencedores na categoria estudante do ensino médio recebem uma bolsa de iniciação científica júnior, com vigência de 12 meses, renovável uma única vez pelo mesmo período e com o valor mensal de R$ 100,00.

CONGRESSO
Os três alunos viajaram para Adamantina, na região de Presidente Prudente, onde vão apresentar os trabalhos sobre o desperdício da água e a invasão do mexilhão-dourado no congresso de iniciação científica das Faculdades Adamantinenses Integradas. Eles tiveram a companhia dos dois orientadores das pesquisas, a professora de química e ciências Andréa Meiado Chiarioni e o docente de matemática e química Marcel Ricardo da Silva.

"O interesse dos alunos pela iniciação científica deve ser reconhecido, pois eles produziram trabalhos dignos de faculdade e pós-graduação", comenta Silva. Andréa lembra que as pesquisas tiveram o apoio da associação de pais e mestres, direção e da Diretoria Regional de Ensino de Araçatuba. "Os alunos já vão começar o ensino superior com experiência em banca examinadora", destaca.

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