terça-feira, 1 de outubro de 2013

Aterro em Auriflama causa fechamento de aeródromo público

Pista de terra atendia ultraleves e pequenas aeronaves
Foto: Valdivo Pereira/Folha da Região
O município de Auriflama, a 73 quilômetros de Araçatuba, abriu mão de um aeródromo público para ter um novo aterro sanitário. Os dois empreendimentos ficavam a apenas um quilômetro de distância, um problema com base na área de segurança aeroportuária e levantado no processo de licenciamento ambiental. Para enterrar lixo dentro da lei, a Prefeitura optou por pedir o descredenciamento do equipamento aéreo.

A prefeita Ivanilde Della Roveri Rodrigues (PMDB) afirma ser contra o local do novo aterro, no bairro rural Lambari de Cima. "Escolheu-se o local do aterro bem próximo ao nosso aeródromo, em uma região onde a população não foi devidamente consultada e, quando se notou que a população era contrária, pediu-se simplesmente o descredenciamento do nosso aeródromo", afirma.

Ivanilde diz que, ao assumir o cargo de prefeita no começo do ano, já encontrou a área do novo aterro praticamente licenciada junto à Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). Assim, faltava apenas aguardar o desfecho, que veio com a exclusão do aeródromo público Agnor Batista de Souza Júnior, oficializada em portaria da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) em vigor desde o dia 30 de maio. Ela credita essas ações ao último ex-prefeito José Jacinto Alves Filho, o Zé Prego (PSDB).

PREÇO
O balanço da atual administração municipal é que, embora o espaço para a destinação final de resíduos colocou fim a um problema da cidade, que tinha um lixão em funcionamento, no bairro rural Barraca, também impediu investimentos futuros da iniciativa privada em atividades ligadas ao setor aéreo.

"Eu até tentei mudar o aterro sanitário de local, mas fui informada pelos meus advogados de que seria difícil, pois já havia sido investido dinheiro público. Eu poderia responder por crime de improbidade administrativa", diz a prefeita. O custo do novo aterro é de aproximadamente R$ 193 mil.

A Cetesb avaliou este ano como inadequado o antigo aterro, no bairro rural Barraca, obrigando a Prefeitura a correr contra o tempo para colocar em funcionamento o atual empreendimento. O antigo aterro, no final de seus dias, estava saturado e lembrava mais um lixão. Atualmente, está em processo de recuperação e deve receber até 16 mil mudas de árvores.

RECICLAGEM
Para diminuir o temor dos agricultores com uma eventual desvalorização das terras, a prefeita garante que determinou a operação do aterro dentro das normas da Cetesb, com cobertura diária e mecanizada dos resíduos para evitar a presença de animais e o mau cheiro, bem como proibir a presença de catadores no local. "A vida útil do aterro é para 15 anos, mas nosso objetivo é dobrar esse tempo por meio da reciclagem", diz, informando que o projeto, para o futuro, é estruturar uma cooperativa ambiental.

Sobre o fim do aeródromo, cuja pista de terra mede 1,2 mil metros e servia para usuários de ultraleve e aeronaves privadas, a prefeita classificou como "grande perda". "Temos muita plantação de cana na região e tínhamos interesse de empresa em instalar ali uma oficina para os aviões que fazem a pulverização. Também poderia receber um aeroclube, mas, infelizmente, todos estes planos foram abortados", diz.
Zé Prego não foi localizado para comentar o assunto.

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