segunda-feira, 18 de novembro de 2013

26 espécies da flora nativa estão ameaçadas de extinção

Buzetto mostra estoque de sementes de jequitibá, uma das
espécies em risco, na câmara fria da Flora Tietê
Foto: Alexandre Souza/Folha da Região
A ameaça de extinção é geralmente associada aos animais que correm o risco de desaparecer da natureza, mas o desequilíbrio ecológico não é um problema somente para a fauna.

Das 135 espécies vegetais que fazem parte da lista da flora ameaçada no Estado de São Paulo, 26 são árvores nativas da região de Araçatuba.

A lista foi produzida e atualizada na última década pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente, em parceria com o Instituto de Botânica.

Na região de Araçatuba, que integra o noroeste paulista, as espécies ameaçadas são próprias do ecossistema de transição entre a mata atlântica e o cerrado. Aroeira-verdadeira, cedro, guatambu, jatobá e jequitibá são alguns exemplos.

Quando uma espécie de árvore se torna rara ou desaparece da natureza, os efeitos podem ser devastadores. "Muitas espécies de aves e mamíferos dependem exclusivamente de determinadas espécies para a sua alimentação e construção de ninhos", alerta o engenheiro florestal Fernando Alberto Buzetto, da ONG Flora Tietê, de Penápolis.

Conforme o especialista, "quando algum tipo de árvore desaparece, muitos polinizadores acabam por desaparecer também, o que pode causar uma extinção em massa". Ele explica que os dois principais motivos para uma planta entrar na lista da flora ameaçada de extinção são a redução de seu habitat e a exploração madeireira sem manejo florestal correto. Além disso, espécies pouco conhecidas pelos cientistas também podem compor a lista.

DEVASTAÇÃO
Na região de Araçatuba, onde o bioma natural predominante é a mata atlântica, pouco restou da floresta. Dos 1.856.538 hectares que o bioma ocupou no passado, restaram apenas 5,1%, ou 95.517 hectares. Os números são do último atlas da Fundação SOS Mata Atlântica, lançado em junho, e confirmam os impactos ambientais trazidos pelos ciclos econômicos do café, pecuária e cana-de-açúcar.

A boa notícia é que os números do último atlas também mostram que o processo de desmatamento deu uma trégua nos 43 municípios que formam a região, pois a área não perdeu nenhum hectare da mata atlântica no período de 2011 a 2012. A coordenadora do atlas, Márcia Hirota, pondera que isso aconteceu em parte porque já não há muito mais o que derrubar.

Para o secretário estadual de Meio Ambiente de São Paulo, Bruno Covas, o desmatamento predatório e ilegal no Estado já pode ser considerado coisa do passado. "Além das ações de fiscalização a campo, investimos em um novo sistema por satélites que emite um alerta em caso de desmatamento", explica. Conforme ele, o compromisso do governo paulista é plantar 400 milhões de mudas até 2020, aumentando de 17,5%, para 20% o índice de cobertura vegetal.

Buzetto diz que os projetos de reflorestamento devem ser pensados privilegiando a variedade das espécies. De acordo com o engenheiro florestal, para cada área degradada a ser recuperada, o ideal é que se utilize ao menos 80 tipos diferentes de árvores, sendo 64 nativas (80%) e quatro de espécies ameaçadas (5%). Do total a ser plantado, também é necessário considerar um montante de 20% para árvores frutíferas.

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