segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Coleta de sementes vira desafio radical com rapel em árvores

Moecke usa habilidade no rapel para
coletar sementes em exemplar de jequitibá
Fotos: Alexandre Souza/Folha da Região
A preservação das árvores em risco de extinção impõe um problema ainda maior aos ecologistas. O motivo é que a coleta de sementes para a geração de mudas depende de encontrar matrizes. Esse é um dos desafios encarados diariamente pela ONG Flora Tietê, de Penápolis.

O técnico florestal Udo Moecke, responsável pela coleta de sementes na ONG, precisa dominar uma habilidade extra para ajudar a preservar as espécies em risco de extinção: escalar árvores. Com o uso de cordas e equipamentos de proteção, ele chega a subir cerca de 20 metros para recolher frutos do jequitibá, uma árvore nativa da região e que está em perigo.

O porte físico do coletor ajuda, pois, com 2,05 metros de altura, Moecke explica que consegue esticar os braços um pouco mais para alcançar galhos distantes. No entanto, prevalece a experiência de quem tem curso e pratica o rapel há muitos anos.

"A maior dificuldade é quando me deparo com abelhas. Nesse caso, uso roupa de apicultor porque não dá para correr das ferroadas estando no alto de uma árvore", conta.

Moecke lança linha com estilingue para instalar corda do rapel
A coleta de sementes de jequitibá acompanhada pela Folha da Região foi feita na praça Laonte Rossi Vasconcelos, no bairro Village, zona urbana de Penápolis. O local foge um pouco da rotina da ONG, que normalmente utiliza matrizes da zona rural. No entanto, o engenheiro florestal Fernando Alberto Buzetto explica que, quando se trata de espécie ameaçada de extinção, as opções são poucas.

"Árvores como o jequitibá já são raras na natureza. Você consegue encontrar um ou dois exemplares dessa espécie em um hectare de mata nativa", afirma Buzetto. Depois que as sementes são separadas dos frutos, elas são armazenadas na câmara fria da ONG. Da semeadura até o ponto de plantio, vai ser preciso aguardar um ano.

Buzetto (esq.) e Moecke mostram sementes de jequitibá
Do plantio até o jequitibá atingir a altura do exemplar usado como exemplo nessa matéria, vão se passar pelo menos 50 anos. "Se a destruição pode ser bastante rápida, a recuperação ambiental é um processo demorado, mas que precisa ser feito imediatamente", destaca Buzetto.

MULHERES
Semear e controlar o crescimento das mudas na Flora Tietê são atividades feitas exclusivamente com mão de obra feminina. A chefe do viveiro, Rosilei dos Santos, diz que não se trata de preconceito de gênero, mas de saber aproveitar uma qualidade da mulher necessária para esse serviço.

"É preciso ser mais delicada para mexer com as mudas e, como o homem costuma ser mais bruto, aqui quem cuida dessa parte são as mulheres. A gente até conversa com as mudas", afirma Rosilei, que faz parte do grupo de 12 mulheres que atua no viveiro, com faixa etária variando entre 30 e 55 anos de idade.

Além do viveiro em Penápolis, a Flora Tietê possui outro espaço do gênero em São José do Rio Preto. Juntos, os dois empreendimentos têm capacidade para produzir anualmente 2,5 milhões de mudas de eucalipto e 1,5 milhão de espécies nativas.
Rosilei com plantas de jequitibá em viveiro da Flora Tietê
'A gente até conversamos com as mudas'

Entre as ameaçadas de extinção, nativa e não nativa da região, se destaca pela produção de: pau-brasil, mogno, imbuia, jacarandá, aroeira-do-sertão, amburana, canela-sassafrás, entre outras.

Com 27 anos de existência, a ONG possui 28 colaboradores e pretende chegar ao final de 2013 com a marca de 35 milhões de mudas produzidas e plantadas desde a sua fundação, sendo 25 milhões de eucalipto e 10 milhões de nativas.

As mudas são comercializadas para produtores rurais, empresas e órgãos públicos. Nos últimos anos, foi responsável pela doação de 1,5 milhão de mudas nativas para projetos de reflorestamento da Fundação SOS Mata Atlântica.

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