sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O dia em que a natureza venceu no Parque Ecológico Baguaçu

Depois de 25 anos de preservação, o Peba (Parque Ecológico Baguaçu) atingiu a maturidade, também chamada pelos ambientalistas de equilíbrio sucessorial, e consegue se autorregenerar sem a intervenção humana. A etapa conquistada foi lembrada nesta sexta-feira, dia 22 de novembro, data de seu aniversário. A reserva ocupa nove hectares entre a avenida Waldir Felizola de Moraes e a rua Baguaçu, na área urbana de Araçatuba.

Dois momentos diferentes na história do Peba: crianças visitam parque
ainda degradado, em 1988 (à esq.), e nova visita, em 2013, desta
vez em área já recuperada e em equilíbrio sucessorial
Fotos: Arquivo do Peba e Paulo Gonçalves/Folha da Região
O ecólogo Onédio Garcia da Silveira Júnior, coordenador do Peba, explicou que o sucesso na regeneração do parque está relacionado à intervenção humana a partir de 1988, na gestão do ex-prefeito Valter Tinti, quando o espaço foi oficialmente criado por decreto. Deste ano em diante, o poder público e a comunidade promoveram plantios de árvores e controle de pragas e gramíneas invasoras.

Também foram adotados outros cuidados, como o combate ao fogo e o cercamento da área para evitar a presença de animais domesticados, incluindo cavalos e bois, que podem ser muito prejudiciais para o ambiente nos primeiros estágios de recuperação. O restante ficou a cargo da própria "mãe natureza", resultando hoje numa densa vegetação.

"A ampliação de áreas verdes como o Peba significa a recuperação de espécies animais e vegetais e a consequente troca de energias entre elas e o meio. E para a cidade significa uma maior aproximação dos cidadãos com a natureza, além de atmosfera mais úmida, temperatura mais suave e melhor qualidade do ar", afirmou Silveira Júnior.

Ipê, aroeira, angico e pau-brasil formam mata do Peba
Foto: Paulo Gonçalves/Folha da Região
O secretário municipal do Meio Ambiente, Jorge Hector Rozas, considerou o Peba como um exemplo à região noroeste para comprovar que é possível fazer regeneração ambiental em qualquer lugar, até mesmo dentro do perímetro urbano. "O Peba chegou hoje ao seu clímax ambiental, mas ainda continua se regenerando. Mas agora esse processo é natural, sem a intervenção humana", disse.

A data de criação do Peba coincide com o aniversário da aposentada Alice Alves dos Santos, 73 anos. Ela conheceu o parque ontem, depois de 50 anos morando em Araçatuba. "Fiz uma caminhada pela trilha e achei tudo maravilhoso, principalmente o ribeirão Baguaçu. Foi um belo presente para o meu aniversário", disse a moradora. Ela esteve no espaço acompanhada de 45 participantes do projeto de fisioterapia preventiva "Bem-Estar - vivendo em plenitude" e de 28 alunos da rede municipal de ensino.

ANIMAIS
O Peba apresenta grande biodiversidade. Entre o ano de 2011 e o início de 2012, o dentista e professor universitário André Luiz Fraga Briso identificou 91 espécies de pássaros que moram ou frequentam o local. O levantamento da avifauna, que recebeu o título de "O Reino de Coroa Azul", traz imagens e identificação de espécies como a garça-real, o choró-boi e o udu-de-coroa-azul.

O parque também se destaca pela presença de mamíferos, representados em maior quantidade pelas capivaras. O roedor semiaquático serviu de inspiração para batizar a Lagoa das Capivaras, que tem cerca de 3,2 mil metros quadrados e está dentro da área do Peba. Ao menos dois jacarés também vivem no ambiente, além de outros pequenos répteis. A vegetação predominante na floresta é de transição entre o cerrado e a mata atlântica, contando com diversos tipos de ipês, aroeira, jaracatiá, angico e pau-brasil.

DEGRADAÇÃO
A primeira notícia que se tem sobre o uso da área onde atualmente está o Peba vem da década de 1930, quando se iniciou a exploração da jazida de basalto para a produção de pedra britada pela extinta pedreira da Prefeitura Araçatuba.

Na administração do ex-prefeito João Batista Botelho, de 1960 a 1963, foi implantado no local uma pequena fábrica de processamento de sebo recolhido no antigo frigorífico T. Maia, no lado direito do ribeirão Baguaçu.
Primeiro trabalho de limpeza na área da antiga pedreira
Foto: Arquivo do Peba

Até o ano de 1987, a usina de sebo reaproveitou a gordura retida na boca de saída do esgoto, que era despejado a céu aberto pelo frigorífico. O sebo era derretido e processado através de grandes caldeiras que utilizavam pneus queimados como combustível. O resultado era grande poluição atmosférica e dos recursos hídricos.

Depois que a fábrica foi fechada, a área foi saneada e preparada para a recuperação. Os arquitetos e urbanistas Selma de Fátima Figueiredo Rico e Mauro Garcia Carvalho Rico ficaram responsáveis por coordenar o projeto de reflorestamento.

Em 1992, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, o parque ficou ainda mais conhecido por causa da divulgação de seus trabalhos junto à comunidade.

SERVIÇO
O Peba funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, aos sábados, das 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 16h30, e aos domingos, das 7h30 às 11h30. A entrada é gratuita e deve ser feita pela rua Baguaçu, n° 1.259, no bairro Parque Baguaçu. É importante ir com calçado fechado, calça e repelente contra insetos. Visitas de turmas podem ser agendas pelo telefone (18) 3625-2448.

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