segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Alunos do Instituto Federal de Birigui recolhem 30 mil pilhas

Grupo do IF Birigui mostra resultado da competição
Fotos: Dayse Maria/Folha da Região
Estudantes do Instituto Federal de Birigui colocaram em prática uma ação que gerou o descarte adequado de 30 mil pilhas e baterias esgotadas. Quase 700 alunos de todos os cursos da instituição de ensino se empenharam este semestre em recolher os produtos do gênero que estavam acumulados em residências e empresas, com destino incerto e oferecendo risco à saúde e ao meio ambiente.

O engenheiro mecânico Rafael Paiva Garcia, professor da autarquia federal de ensino, contou que leciona a matéria de processo de fabricação, que aborda as etapas de uma linha de produção (matéria-prima, transformação e comercialização). Conforme ele, um item a ser explorado nessa cadeia é o destino final do produto depois de seu descarte.

"Foram os próprios alunos que lembraram sobre as dificuldades em encontrar pontos corretos para o descarte das pilhas, bem como as informações básicas sobre o risco deste tipo de material. Com base no problema levantado por eles, dei um tempo para a turma de automação industrial propor uma solução", disse Garcia.

A resposta foi o Papa-Pilha, um campeonato escolar entre as classes, de agosto até o final de novembro, para ver qual turma conseguiria recolher mais pilhas. Com 14 mil unidades, o vencedor foi o terceiro módulo de automação, que ganhou um churrasco. No entanto, o maior prêmio conseguido pela instituição pública foi a conscientização dos riscos deste tipo de componente, quando jogado no lixo comum ou guardado em casa de qualquer maneira.

Garcia explicou que o recolhimento aconteceu junto com exposição aos alunos das orientações ambientais. Todo material recolhido na ação será lacrado, em caixas, e enviado a pontos de recolhimento na região, incluindo os instalados em Araçatuba e Birigui, por exemplo. Para o futuro, ele disse que a meta é incentivar os estudantes na pesquisa de recursos alternativos, da reciclagem de pilhas à substituição por produtos menos poluentes.

Pilhas possuem metais pesados que
podem se acumular no corpo humano 
AMEAÇA
Na natureza, uma pilha pode levar séculos para se decompor. No entanto, as substâncias nocivas ao homem em sua composição nunca se degradam, como o cádmio, o chumbo e o mercúrio. Em contato com a umidade, água e calor, os componentes tóxicos vazam e contaminam tudo por onde passam. Com as chuvas, penetram no solo e chegam às águas subterrâneas.

Os metais pesados possuem alto poder de disseminação e capacidade de acumular-se no corpo humano, trazendo sérios danos à saúde. O Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) descreve que câncer, anemia, disfunções digestivas, cerebrais, neurológicas, renais e hepáticas são algumas das possíveis consequências destes componentes ao organismo humano.

Quando depositados em aterros sanitários, por meio da coleta pública, esses resíduos também podem vazar e contaminar o lençol freático, o solo e os rios, causando danos à biodiversidade. "Poucos têm essas informações. Em contrapartida, quem já se conscientizou nem sempre tem um ponto de coleta em seu caminho", disse Garcia.

O aluno do curso técnico em automação Jefferson Esquizato de Souza, 16 anos, um dos idealizadores do campeonato, contou que conseguiu juntar cerca de 30 pilhas com outros membros da família. Para ele, o grande mérito da ação foi despertar os companheiros para o problema. "A maioria compreendeu que esse comportamento ecológico precisa se estender além do campeonato", lembrou.

LIXO ELETRÔNICO
O engenheiro mecânico Eder Granato, que também é docente na escola pública, lembrou que o Brasil é um dos maiores geradores de lixo eletrônico do mundo, mas que ainda é preciso avançar no cumprimento das leis para que aconteça o correto descarte. "Temos que trabalhar ainda na origem dos produtos, criando e aproveitando as tecnologias mais sustentáveis", defendeu.

2 comentários:

  1. Poderia me informar onde descartar as baterias usadas?

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  2. Poderia me informar onde descartar baterias usadas?

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