terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Leão Yuri volta a ser atração no zoológico de Araçatuba

Pele preservada de leão vai ser exposta no zoo
Foto: Paulo Gonçalves/Folha da Região
Quarenta anos depois de sua morte, o leão Yuri voltou a ser uma das atrações no zoológico municipal Doutor Flávio Leite Ribeiro, em Araçatuba. A pele do felino foi preservada e ficou exposta durante a solenidade de 50 anos do zoo, nesta terça-feira (dia 3). Ele morreu no dia 1° de março de 1973.

Yuri era o maior leão criado em cativeiro na América Latina e faleceu por causa de uma doença generalizada. O felino foi doado ao zoo em 1967, por Flávio Leite Ribeiro, já falecido e que empresta nome ao espaço. A peça foi entregue este ano por Naoum Cury, um dos responsáveis pelo início do zoo.

Em dezembro de 1972, o leão já sofria com alguns problemas. A Folha da Região destacava no noticiário a recuperação do felino, que havia sido transportado às pressas para São Paulo, para tratamento de uma intoxicação. Yuri ficou internado no zoológico da Capital. A população acompanhou com expectativa o restabelecimento do animal, que morreu no ano seguinte.

O secretário municipal de Meio Ambiente, Jorge Hector Rozas, disse que os relatos dão conta que Yuri foi trazido da África e chegou a ser criado na casa de Ribeiro, antes de ser integrado ao plantel. Ele explicou que a proposta é deixar a pele do animal exposta na sede do zoo, ajudando a preservar o passado do espaço.

FECHADO
Atualmente, o acesso aos animais está fechado para visitantes, pois o zoo está em reforma. Os trabalhos já duram um ano a mais do que o prazo estimado pela Prefeitura de Araçatuba. Rozas informou que 70% dos trabalhos estão concluídos e que a meta é entregar o zoo pronto nos primeiros meses de 2014.

O zoológico foi instalado na gestão do ex-prefeito Floriano Camargo de Arruda Brasil. Na época, foi feita uma campanha nos meios de comunicação para que os moradores doassem animais. Em 1991, quase duas décadas depois da iniciativa, a Prefeitura abriu mão dos animais domésticos e fez leilão público para alienação de bichos que não estavam na proposta do espaço, como pôneis, jegues, carneiros e cabritos.

OPINIÃO
Yuri em notícia da Folha da Região
Foto: Reprodução
A existência de zoológicos gera revolta na maior parte dos ambientalistas e protetores dos animais. Para muitos, espaços desta natureza deveriam simplesmente ser fechados, pois, em muitos casos, os bichos não teriam as mínimas condições de uma vida digna, semelhante àquela que experimentariam na natureza.

Vejo os zoológicos como importantes espaços de educação ambiental. Boa parte dos animais que se abrigam no zoo estão ali não pela vontade do poder público, mas porque foram vítimas do tráfico ou do uso comercial (circos). São criaturas que perderam a capacidade mínima de sobreviver por conta própria. Chega a ser incoerente a defesa de devolvê-los à natureza.

Que chances de sobreviver teria o leão Bira, que chegou em 2004 no zoo de Araçatuba vindo de um circo, se fosse devolvido ao continente africano? E as dezenas de papagaios do zoo, como viveriam nos raros fragmentos de vegetação na região de Araçatuba, se até já sabem "falar" um pouco da língua portuguesa?

Os pais que levam os filhos aos zoológicos devem, no mínimo, aguçar o pensamento crítico nos filhos. Lembrar que a pele do leão Yuri, em exposição, é a marca da tristeza e do abuso humano frente aos outros seres vivos. E que zoológicos não são espaços para comer pipoca, sorrir e brincar: são locais para refletir sobre o futuro incerto e ameaçado da fauna.

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