quinta-feira, 13 de março de 2014

Expansão do Parque Estadual do Aguapeí vira alvo de estudo

Minipantal é um dos últimos abrigos do cervo-do-pantanal
Fotos: Valdivo Pereira/Folha da Região
O Governo do Estado estuda a expansão do Parque Estadual do Aguapeí na região de Araçatuba. Uma das propostas atualmente em discussão é para aumentar de 3 para 12 o número de cidades com áreas incluídas na unidade de conservação estadual. Conhecido como minipantanal paulista, o local é um dos últimos refúgios para o cervo-do-pantanal.

A minuta do plano de expansão indica que o parque pode crescer dos atuais 9.043 hectares para 25.540 hectares, triplicando o seu tamanho. O acréscimo de 16.497 hectares contemplaria, em sua maior parte, trechos dos municípios de Mirandópolis, Lavínia, Valparaíso, Bento de Abreu, Rubiácea, Guararapes, Piacatu, Santópolis do Aguapeí e Luiziânia, todos na região de Araçatuba.

Atualmente, a unidade de conservação é formada por áreas de Castilho, Nova Independência e Guaraçaí, além de trechos de São João do Pau D'Alho, Monte Castelo e Junqueirópolis, estas três últimas cidades incluídas na região de Presidente Prudente. A proposta de expansão também agrega mais cidades da região prudentina, do outro lado do rio Aguapeí.

De acordo com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, responsável direta pelo processo, a fase atual do Plano de Expansão de Áreas Protegidas no Estado de São Paulo consiste em estudos. Dessa forma, ainda não há definição oficial sobre quantos hectares e quantos municípios poderiam ser atingidos.

Rio Aguapeí, em Nova Independência, em
 trecho da unidade de conservação
O resumo do texto preliminar, onde aparece o diagnóstico prévio com a possibilidade de expandir o parque para outras nove cidades regionais, foi apresentado ao Consema (Conselho Estadual do Meio Ambiente) em setembro do ano passado, e na reunião ordinária da Comissão Paulista da Biodiversidade, em novembro.

CAÇA
É muito comum encontrar no Parque do Aguapeí animais típicos do pantanal sul-mato-grossense e de áreas alagadas. Entre esses animais estão aves como o tuiuiú, joão-grande, colhereiro, garça-branca-grande, garça-branca-pequena, marreca, biguá e o tachã. Também são encontrados capivara, anta, cervo-do-pantanal, jaguatirica e jacaré.

A rica biodiversidade é uma das razões para ainda haver registros de caça dentro do parque. Para o diretor da Econg, Roberto Franco, faltam ações efetivas do Governo do Estado para combater o problema. "Quanto à preservação por enquanto é balela. Não significa de fato proteção cotidiana, integral e efetiva", afirmou o representante da organização não governamental que atua na defesa do meio ambiente e do patrimônio histórico em Castilho.

Conforme ele, os relatos de animais silvestres capturados para o tráfico ou mortos por caçadores ainda não regrediram. "Quanto a aumentar o numero de municípios ou a área preservada não é ruim. Mas como fica a responsabilidades de cada município e mesmo do Governo Estadual, que até o momento pouco fez para proteger, de fato, o parque", questionou Franco.

Em nota, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente garante que o parque recebe fiscalização periódica. Dentre as ações em andamento, há destaque para os programas SIM (Sistema Integrado de Monitoramento) e a Operação Corta-Fogo (prevenção de queimadas). O SIM consiste em uma parceria entre a unidade de conservação, a Polícia Militar Ambiental e a Coordenadoria de Fiscalização Ambiental da pasta.

"O conselho consultivo da unidade continua atuante e, no final de 2013, participou do processo de formação socioambiental no âmbito do programa SIM, que buscará trabalhar a questão preventiva dos problemas ambientais identificados nas ações de fiscalização junto às comunidades do entorno", garantiu a pasta.

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