segunda-feira, 10 de março de 2014

Nativo da região, Jequitibá-rosa vira árvore símbolo de Birigui

Bastante raro, Jequitibá foi reconhecido por sua raridade e porte frondoso
Fotos: Valdivo Pereira/Folha da Região
Uma das espécies vegetais mais ameaçadas no Brasil se tornou a árvore símbolo de Birigui. Foi sancionada na quinta-feira (6) a lei municipal que institui o jequitibá-rosa, nativo da região, como o representante arbóreo oficial da cidade. Apesar da homenagem, restam poucos exemplares visíveis aos olhos da população, efeito das várias décadas de desmatamento na região de Araçatuba.

Publicada pela Câmara Municipal de Birigui, a matéria obriga que o jequitibá-rosa receba proteção especial do poder público, sendo imune ao corte, exceto em situações extremas, como quando ocorrer risco de queda. Além disso, a espécie deve entrar para o calendário oficial de eventos de Birigui, com comemoração em 21 de setembro - quando também se celebra o Dia da Árvore.

A lei é de autoria dos vereadores Ricardo Kumazawa (PT) e Leandro Moreira (PTB). Os parlamentares explicam que a norma tem o objetivo de estimular a educação ambiental e incentivar os moradores de Birigui para a valorização da mata atlântica e suas diversas espécies, com destaque para o jequitibá-rosa.

Kumazawa diz que, ao longo das discussões sobre a árvore símbolo, outros tipos arbóreos também foram cogitados, como o ipê-amarelo e o pau-brasil. No entanto, o jequitibá-rosa ganhou preferência por estar incluído na lista da flora ameaçada no estado de São Paulo, composta por 135 espécies vegetais, e por ser considerado a maior árvore nativa brasileira, com até 50 metros de altura.

"A lei é para ajudar a conscientizar a população. Há cem anos nossa região era coberta plenamente por matas, algo que praticamente já não vemos mais. O jequitibá-rosa é um símbolo por sua grandeza e também por ter sido tão explorado", afirma Kumazawa, que aposta em plantios de exemplares desse tipo na Semana da Árvore para reforçar a iniciativa.

O secretário de Meio Ambiente de Birigui, Milton Paulo Boer, diz que o jequitibá-rosa já faz parte da lista de espécies utilizadas nas ações de reflorestamento da Prefeitura, que deve atingir a marca de quatro mil mudas plantadas de janeiro até o final de março, especialmente na zona rural. Conforme ele, os plantios incluem 79 espécies nativas diferentes, garantindo variedade e qualidade nos trabalhos.

"O compromisso nosso é o mesmo com todas as árvores, pois todas têm valor ecológico. Nosso carinho é o mesmo com todas as espécies", diz Boer, quando indagado se o jequitibá-rosa receberá algum tratamento diferenciado. Conforme ele, é preciso usar critérios técnicos nos plantios, pois esta espécie não é recomendada para calçadas urbanas devido ao grande porte, por exemplo.

FRONDOSO
Exemplar de jequitibá plantado no pátio de escola de Birigui
é mais antigo do que unidade de ensino
Quem passa pela calçada da Escola Municipal Professora Geni Leite da Silva, no bairro Silvares, pode desfrutar de uma das sombras mais expressivas de Birigui. O responsável pelo cenário ímpar é um antigo jequitibá-rosa, que existia antes mesmo da pedra fundamental da unidade de ensino ser lançada, em 1947, conforme relatos de moradores mais antigos.

A diretora da escola Áurea Esteves Serra acredita que o exemplar continuará sendo assunto para auxiliar o aprendizado, especialmente em projetos com cunho ambiental. "Essa e outras árvores já foram tema de atividades pedagógicas com os alunos, incluindo pesquisas sobre as características físicas da espécie", afirma.

Outros municípios brasileiros também adotaram o reconhecimento a determinadas espécies vegetais. Um concurso recente com votação popular elegeu o jequitibá-açu como a árvore símbolo do Rio de Janeiro, no Estado de mesmo nome. Em Itajaí, em Santa Catarina, a função é desempenhada pela Primavera. Em Feliz, no Rio Grande do Sul, o destaque é para o ipê-amarelo.

RARIDADE
Não há números oficiais sobre quantos exemplares de jequitibá-rosa existem atualmente na zona urbana de Birigui, mas a AGA (Associação do Grupamento Ambientalista) estima que o número não chegue a uma dezena. Para o ambientalista Jefferson Rabal, coordenador de projetos da entidade, a quase erradicação da espécie foi acompanhada pela diminuição da mata atlântica.

No caso do jequitibá-rosa, a erradicação ocorreu para uso da madeira de lei na construção civil e fabricação de móveis. Ele aposta que a norma que a instituiu como árvore símbolo deverá ajudar a difundir a importância da espécie para a natureza. Entre as principais, está o fato de ser abrigo para aves de rapina, que costumam fazer os ninhos nas árvores mais altas.

"Como o tronco pode ter de seis a sete metros de diâmetro e a altura beira os 50 metros, o jequitibá-rosa não é recomendado para calçadas porque pode obstruir a passagem, mas há espaços apropriados para ele na zona urbana, como áreas verdes, praças e parques", diz Rabal.

No final do ano passado, a Folha da Região acompanhou a coleta de sementes do jequitibá para reflorestamento, realizada pela ONG Flora Tietê, na zona urbana de Penápolis. Com o uso de cordas e equipamentos de proteção, os colaboradores chegam a escalar mais de 20 metros para ter acesso às sementes (Lei a matéria clicando AQUI). Vão se passar pelo menos 50 anos do plantio até o jequitibá atingir uma altura razoável. Se for preservado, há relatos de que possa viver mais de mil anos.

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