sexta-feira, 21 de março de 2014

Qual é a cura para a febre do planeta Terra?

A maioria das infecções causadas por bactérias e vírus desempenha um ciclo parecido no corpo. Elas costumam ser oriundas do meio externo, possuem grande capacidade de adaptação e rápida proliferação. Em pouco tempo, a estrutura antes sadia apresenta os primeiros sintomas de exaustão.

Marcas na pele, aumento da temperatura e sensação de mal-estar são apenas o início de um ataque que, geralmente, coloca em xeque as defesas naturais do organismo. Tão logo a proliferação dos microrganismos é detectada, um batalhão de glóbulos brancos parte ao campo de batalha para defendê-lo.

O resto é previsível: ou o corpo sagra-se campeão nesta batalha ou irá sucumbir pela doença. O único elemento não tão óbvio nesta guerra pela sobrevivência é que o corpo, em questão, é o planeta Terra. Os vírus e bactérias somos nós, a raça humana.

A ideia de que somos uma ameaça ao planeta ganhou força em meados do século 20, quando é possível detectar o início de um discurso ecológico mais elaborado dentro de uma realidade de alta industrialização e de significativa exploração dos recursos naturais.
Se a Terra fosse um organismo, o homem seria uma bactéria?

O britânico James Lovelock, especialista em meio ambiente, tem uma teoria interessante sobre o planeta. Para ele, se a Terra for salva, será salva por ela mesma. Aos 94 anos, talvez os seus companheiros de genética não lhe deram o devido crédito. Tomara que ele não seja reconhecido tardiamente.

O cientista é autor da Teoria de Gaia, que considera o planeta como um superorganismo, no qual todas as reações químicas, físicas e biológicas estão interligadas e não podem ser analisadas separadamente.

Nesta concepção, não é difícil imaginar o ser humano como um vírus. As catástrofes climáticas, por sua vez, desempenhariam o papel de uma febre alta com o propósito de minimizar o "agente invasor".

Para Lovelock, a humanidade não "decidiu aquecer o mundo deliberadamente", mas "puxou o gatilho", inadvertidamente, ao desenvolver sua civilização da maneira como conhecemos hoje. É como uma bactéria que passa a explorar nossas células, cujo frágil corpo humano tenta expulsá-la a todo custo, em nome da sobrevivência.

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