segunda-feira, 7 de abril de 2014

Polinização em risco: más notícias para as abelhas da Europa

Práticas agrícolas que resultam na perda do ambiente
natural representam uma séria ameaça para muitas abelhas
Foto: Pierre Rasmont/Divulgação UICN
Vinte e quatro por cento das espécies de abelha da Europa estão ameaçadas de extinção, de acordo com um estudo que analisa todas as 68 espécies desse inseto que vivem no "velho mundo". O projeto faz parte da Lista Vermelha de polinizadores, financiado pela Comissão Europeia.

Os polinizadores desempenham um papel fundamental na garantia de produção de alimentos. Eles permitem a reprodução de vegetais importantes à dieta humana, como as culturas do tomate, pimentão e muitos outros tipos de frutas, legumes e sementes.

Dos cinco mais importantes polinizadores de culturas europeias, três são espécies de abelha. Em companhia de outros polinizadores, estima-se que as abelhas contribuem com mais de 22 bilhões de euros anuais para a agricultura do velho continente.

Bombus hyperboreus, a segunda maior abelha da Europa, listada como vulnerável na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação das Espécies da Natureza), é associada a regiões árticas e só vive na tundra escandinava e no extremo norte da Rússia. As alterações climáticas poderão reduzir drasticamente a área de seu habitat, levando à diminuição da população.

A distribuição geográfica do Bombus cullumanus, outra abelha europeia bastante conhecida, diminuiu após a fragmentação do habitat e de mudanças nas práticas agrícolas que envolvem a remoção de trevos - vegetação rasteira usada em forragem. Como consequência, sua população diminuiu em mais de 80% ao longo da última década.
Bombus hyperboreus é a segunda maior abelha da Europa
Foto: Göran Holmström/Divulgação UICN
De acordo com o estudo, 46% das espécies de abelhas estão com a população em declínio. A mudança climática, a intensificação da agricultura e mudanças em terras agrícolas são as principais ameaças. Outras razões para o seu declínio incluem a poluição por resíduos agrícolas e a perda de habitat devido ao desenvolvimento urbano.

Medidas como o aumento das margens e faixas de proteção em torno de campos agrícolas, que são ricos em flores e animais selvagens, são consideradas ferramentas eficazes para aliviar o rápido declínio das abelhas.

ALIMENTOS
"Essa alta proporção de abelhas ameaçadas pode ter sérias implicações para a nossa produção de alimentos", diz Ana Nieto, coordenadora do estudo e membro da IUCN. "Proteger os habitats, restaurar ecossistemas degradados e promover práticas agrícolas 'amigas' da biodiversidade serão essenciais para reverter as tendências negativas nas populações de abelhas."

"A União Europeia recentemente proibiu ou restringiu o uso de certos pesticidas, que são perigosos para as abelhas, e está financiando pesquisas sobre o estado dos polinizadores", diz Janez Potocnik, comissário europeu de meio ambiente.

"Muitas dessas espécies vivem em áreas muito restritas e em número reduzido", diz Pierre Rasmont, membro da Comissão de Sobrevivência da IUCN. "Elas são muitas vezes extremamente especializadas em suas plantas hospedeiras, o que as tornam suscetíveis a qualquer mudança ambiental."

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