segunda-feira, 5 de maio de 2014

Usina Hidrelétrica de Itaipu completa três décadas de operação

Itaipu continua como maior geradora de energia
Foto: Divulgação
A Usina Hidrelétrica de Itaipu, localiza no rio Paraná, na fronteira entre Brasil e Paraguai, completa hoje (5) 30 anos de operação. Nesse período, gerou um total de 2.167.763.264 megawatts-hora (MWh) – energia suficiente para suprir o consumo de todo o planeta por um mês, sete dias, 11 horas e 42 minutos.

Sua concretização está atrelada como ponto de apoio ao desenvolvimento do País. Em contrapartida, a megaobra de engenharia também serve para questionar a matriz energética brasileira, dependente dos recursos hídricos. Nesse cenário, soma-se ainda os impactos ambientais decorrentes do processo de represamento.

O que fazer com tanta energia? Era isso o que perguntavam os céticos, na década de 1980, quando a usina de Itaipu entrou em operação. Com a economia brasileira estagnada, não havia necessidade de todo aquele potencial de 12,6 mil megawatts (hoje são 14 mil MW), praticamente a metade de toda a capacidade instalada do País.

Hoje, se não fosse aquela resolução “polêmica”, nem o Brasil nem o Paraguai teriam como sustentar o crescimento de suas economias. A Itaipu Binacional se tornou estratégica para os dois países e responde atualmente por 17% do consumo de energia elétrica do mercado brasileiro e 75% do paraguaio.

Apesar de não ser mais a usina com maior capacidade instalada do mundo - ela perdeu o posto para a hidrelétrica Três Gargantas, na China, com 22,4 mil MW - Itaipu, cuja capacidade é 14 mil MW, continua sendo a maior geradora de energia, graças ao maior volume de água que passa por suas turbinas.

"Nossa localização é o diferencial, e é por isso que somos mais produtivos do que a usina chinesa, apesar de termos menor capacidade instalada. Nenhuma usina recebe tanta água quanto Itaipu", explica o diretor-geral brasileiro de Itaipu, Jorge Samek.

Construção de Itaipu modificou paisagem natural
Foto: Divulgação
“Do ponto de vista da eficiência em geração de energia limpa e renovável, Itaipu é um caso de sucesso sem paralelo no mundo, motivo de orgulho para brasileiros e paraguaios. Temos bons motivos, portanto, para comemorar em 2014 os 40 anos de criação de Itaipu (17 de maio) e 30 anos do início de operação da usina”, diz Samek.

NO ENTANTO...
Além da atual dívida de US$ 13 bilhões, parcela do custo de sua instalação, Itaipu gerou outros ônus ao País, especialmente na paisagem natural. O Salto de Sete Quedas, também chamado Salto Guaíra, foi a maior cachoeira do mundo em volume de água, até o seu desaparecimento com a formação do lago de Itaipu.

Às vésperas da inundação, uma grande manifestação ocorreu no parque nacional das Sete Quedas. Centenas de pessoas se reuniram e realizaram o ritual indígena Quarup, em memória das Sete Quedas. Em 13 de outubro de 1982, o fechamento das comportas do canal de desvio de Itaipu começou a sepultá-la, com as águas barrentas do lago artificial.

Durante a inundação, os moradores de Guaíra iam até a beira do rio para se despedir das Sete Quedas. A inundação durou apenas 14 dias, pois ocorreu em uma época de cheia do rio Paraná, e todas as usinas hidrelétricas acima de Itaipu abriram suas comportas, contribuindo com o rápido enchimento do lago.

Veja um documentário histórico produzido em 1981, quando as Sete Quedas ainda existiam:


TEMOR
Itaipu é considerada suscetível a colapsos por uma parcela significante da população de Foz do Iguaçu (Paraná), município brasileiro em que se encontra a usina. Uma pesquisa da Escola de Engenharia de São Carlos da USP, divulgada em 2012, mostra que 75% dos moradores locais acreditam na possibilidade de rompimento da estrutura.

O geógrafo Érico Soriano entrevistou 112 habitantes das diversas localidades, faixas etárias e camadas sociais da cidade, buscando identificar o que a população considera como possibilidade de risco. Também fizeram parte do trabalho entrevistas com representantes oficiais tanto da barragem quanto de órgãos de segurança pública do município, como a Defesa Civil e a Polícia Federal.

“A barragem é muito segura, embora não haja nenhuma obra de engenharia 100% segura. Mesmo assim, a população tem em seu imaginário que a barragem de Itaipu pode romper”, conta Soriano.

Um dos motivos da desconfiança, segundo ele, é a ausência de diálogo das autoridades públicas locais e dos representantes da usina com a comunidade ali residente, principalmente relacionado à segurança da barragem. O estudo aponta que 100% das respostas foram negativas quanto a este assunto. Com informações das agências Brasil e USP

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