quarta-feira, 23 de março de 2016

Engenheiro lembra que modelo atômico está em desuso

Para o engenheiro Rodrigo Cella, presidente da AGA (Associação do Grupamento Ambientalista) - uma das entidades que participou do movimento contrário à usina nuclear no Baixo Tietê -, o fato de a região ter sido descartada como sede desse empreendimento não deve ser motivo para o morador perder o interesse sobre o assunto. Ele lembra que projetos do gênero não impactam somente determinados trechos de um território, pois se trata de "uma causa sem fronteiras".

O engenheiro cita, como exemplo, o acidente nuclear de Fukushima, no Japão, desencadeado pelo tsunami, em 2011. O episódio fez vários países que contam com o modelo debaterem planos para reduzir, gradativamente, o uso de tal técnica. "A eletricidade gerada por usinas nucleares nunca foi interessante do ponto de vista ambiental, na verdade sempre atenderam conjuntamente outros interesses", explica, citando a demonstração de força bélica, por exemplo.

Cella diz que a intenção de o Brasil contar com usinas nucleares pode se tratar mais de uma estratégia de desenvolvimento desse setor econômico, para que seja viabilizado o aperfeiçoamento de tecnologias diversas relacionadas, do que para a geração de eletricidade em si. "Criando-se um setor mais robusto que seja financiado em grande parte pela oferta de eletricidade, cria-se condições para o desenvolvimento de conteúdo nacional nas demais aplicabilidades da fissão nuclear", explica.

No entanto, pondera que apesar dos interesses tecnológicos e de soberania no setor serem considerados importantes pelas potências mundiais, estamos lidando com uma situação indesejável, mas que pode acontecer. "No sentido de segurança e meio ambiente, o melhor seria se esta tecnologia não tivesse sido criada pela humanidade, estamos lidando com algo que pode acabar com a vida como conhecemos e com rejeitos que ficarão por milhares de anos com alto potencial destruidor", observa.

CONSUMISMO
Quando o assunto são as fontes renováveis de energia, o engenheiro lembra que é preciso que a sociedade questione o seu modelo de desenvolvimento e a própria estrutura econômica do consumismo. Ele explica que, em média, os países já extraem recursos e impactam o planeta 40% a mais do seu ritmo de recuperação natural. "Independentemente se a fonte de obtenção de energia for mais ou menos impactante, esse modelo que seguimos não tem como se sustentar por muitas décadas."

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