quarta-feira, 23 de março de 2016

Parlamentar foi chamado de maluco quando criou lei

Desde fevereiro de 2008, Araçatuba tem lei que proíbe a instalação de usina nuclear na área do município. A norma, de autoria do vereador Arlindo Araújo (PPS), foi aprovada naquela ocasião pela Câmara e sancionada pelo ex-prefeito Jorge Maluly Netto, já falecido. O parlamentar se recorda de ter sido chamado de maluco quando fez a propositura.

Sobre a eliminação da região como potencial sede do empreendimento, Araújo diz ter recebido a notícia com "grande alegria". Ele afirma que participou, naquela época, do trabalho de coletar 11 mil assinaturas para sensibilizar a população e a classe política. "A aprovação desta lei e a pressão popular foram fundamentais para que a região não recebesse uma usina nuclear", afirma.

Araújo lembra que foi chamado de maluco por muitas pessoas que achavam que ele estava brigando contra uma coisa que era impossível de acontecer. "Se eles (Eletronuclear) estão afirmando agora que Araçatuba está fora da rota, significa que eles realmente tinham essa intenção na época, coisa que o próprio governo negou há oito anos", lembra o parlamentar.

INCOERÊNCIA
Araújo considera incoerente o argumento do governo de não colocar usinas na região para não prejudicar o aquífero Guarani, uma vez que o manancial está localizado debaixo do subsolo "desde que o mundo é mundo". "Eles não sabiam desta informação na época? O aquífero Guarani não mudou para cá semana passada", afirma o vereador.

O parlamentar lamenta o fato de o governo manter o projeto de instalar mais quatro usinas nucleares em outras regiões do País, como no Nordeste. "Uma região que já é extremamente árida, se sofrer um acidente nuclear vira um deserto de vez", argumenta.

Para Araújo, isso vem na contramão da história da humanidade, pois nações que mantêm usinas nucleares, como Japão e Alemanha, já se programam para extingui-las. "São países com tecnologia de ponta e contam com os maiores expoentes da física. Se eles não deram conta de manter uma usina nuclear, imagine se o Brasil vai dar?", finaliza.

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